Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Ponte das Barcas, 1809




Ontem, 29 de Março, foi a data de aniversário que perfez o bicentenário de um dos maiores massacres sofridos em terras portuguesas. Em 1809, as tropas francesas de Soult avançaram sobre o Porto. A população ao tentar escapar-se pela Ponte das Barcas, a mesma não teve capacidade para suster o peso do povo em fuga e cerca de quatro mil pessoas morreram esmagadas, afogadas ou sob as baionetas e a pólvora dos franceses - esses mesmos que se diziam e eram tidos por muitos como forças "libertadoras".
Tivesse tido a ocorrência lugar noutro local, mais badalado do País, esse que se diz uno, e outras iniciativas sobre este bicentenário teriam ocorrido. Por outro lado, se no lugar dos "revolucionários" herdeiros da "Revolução Francesa", estivessem alemães, americanos ou forças nacionalistas ou contra-revolucionárias, de qualquer nacionalidade, também outros ecos mais estridentes tal evento haveria de merecer.
A nós resta-nos orar pelas vítimas e pela sua paz.

Sábado, 28 de Março de 2009

Tema de contemplação de hoje


A liberdade. Sem a qual ninguém é, foi, será feliz.

Dos falsos profetas




President Obama reminds me of the fellow who's off to save the world while he ignores the disaster in his own backyard. Instead of focusing on the urgent problems facing the country – the credit crisis and the collapse of the housing market – he's diverting scarce resources and attention to solving health care, reforming education, and stopping global climate change. Worse, his efforts to tackle these intractable issues involve fiscal policies that exacerbate the current financial crisis. He is not only driving the deficit up to unsustainable heights, his policies will amount to a huge tax on all Americans.

President Obama claims he's only going to raise taxes on the wealthiest Americans. But even if his tax-the-rich scheme didn't depress investment and slow growth – which it will – there are other ways government policies, in effect, tax individuals. Government also imposes tax increases indirectly on individuals through policies that encourage businesses to raise prices paid by everyone.

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Só num país em que se perdeu por completo a vergonha... II

Princípio socialista da liberdade: não interessa se usas ou não a merda que nós criámos, interessa é que tu a pagues, sob pena de seres penhorado ou mesmo ires para a prisa.

Só num país em que se perdeu por completo a vergonha...

... é que alguém que criou um monstro dispendioso e inepto venha agora apelar para que sejam os outros, com o fruto de seu trabalho, a sustentar essa malograda criação.

Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Aparte

Não se afoitem agora tanto! Crime maior irá ser a sua concretização. A ameaça é um crime mais ligeiro. Mais grave foi a passividade da oposição e do PR quanto a este e a outros crimes, tais como o Megaeroporto - em relação ao qual as objecções apenas se centraram em sua localização.

Detalhes...

Jean Marie Le Pen voltou a dar brado no Parlamento Europeu pelo facto de ter repetido a afirmação de que "As câmaras de gás foram um detalhe da II Guerra Mundial". A mim e a muitos outros o sr. Le Pen não conseguirá escandalizar pois sou dos que defendem que os "detalhes" são o mais importante da História e da vida.

Domingo, 22 de Março de 2009

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Novas diligências de sucesso da ASAE da linguagem


A ASAE da linguagem em toda a sua glória vai somando pontos. A Constituição abrileira das liberdades, garantias e direitos vai servindo por cá para a censura e proibicionismo. Ficam os prevaricadores com a benemérita e progressista lição de que uma manifestação, a qual o dito anúncio nem especifica de que tipo é, é um acto de cidadania. Mais importante ainda, expressar que os ditos-cujos "actos de cidadania" são um aborrecimento é uma violação aos direitos constitucionais. Por isso, tenha cautela o leitor sempre que se deparar com as ditas manifestações, nada de se queixar do incómodo ou contratempo! Pode acabar multado, preso ou sabe-se lá com que mais... O mais incrível é ver o PSD a juntar-se à turba patrulheira do politicamente correcto e apelar à censura e à perseguição política. Quando pensamos que a política partidária dificilmente poderá descer mais baixo, enganamo-nos redondamente.

Se bem me lembro...

... em minha adolescência, em plenos anos 80, de ler e ouvir sapientes vozes nos media que lastimavam a pobreza do parque automóvel nacional (cujas estradas da época, by the way, nem tanto mereciam) e bradavam em eloquentes tons estatísticos que éramos o povo que menos trocava de carro e, por outras palavras, com mais chaços a circular pelas "sofisticadas" vias nacionais.
Os padrões civilizacionais de referência vinham da "Europa", e dos "Europeus" os quais tinham os bons ordenados e os bons carros. Muito menos palavras se gastava na abordagem da inexistência de indústria e de produção automóvel por cá, a qual desmontaria o argumento dos indignados que reclamavam barriga de rico para quem tinha e tem bolsa de pobre.

O acesso generalizado ao crédito e o desterro constante das famílias para os arrebaldes mais fedorentos e mal urbanizados das ditas grandes urbes "modernizaram" o nosso Zé Povinho que daí em diante viveria na mentira do dinheiro fácil e das necessidades imperiosas que antes eram luxos. Seus parceiros europeus e respectivo modelo social também agora se vêem desenganados, mas pelo menos esses produziam a "lata" que compravam, antes de os "empregos" se deslocarem para China, Paquistão e quejandos pois não há rentabilidade que resista a modelos sociais e fiscais, ditados pela ditosa Bruxelas onde Jack Delors imperava e apenas Thatcher lhe fazia frente.

A pujança por cá foi tanta que em 1989, o ministro das Finanças de então, Miguel Cadilhe haveria de pôr um pouco de cobro ao pagode e, em pleno estilo intervencionista, proibiu a venda a prestações de carros com mais de 1.4 cm3 de cilindrada caso não fosse dada entrada de 50% do valor total.

Mas que tempos esses! Ao recordá-los não será difícil vermos os arquétipos desta época actual, caracterizada por crise.

Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Senhores, cuidado que a ASAE também vigia os fregueses...

Muito agradecido fico ao Diogo que da sua Esplanada, a qual tenho acompanhado com muito interesse e afinidade, passou a seguir aqui o Café.
Com um grupo de seguidores desta estirpe, cada vez me sinto mais aquém do nível de trabalho que a clientela merece.
Um bem-haja e um abraço para todos!

Terça-feira, 17 de Março de 2009

O socialismo na sua glória

Sempre com eufemismos cuidadosamente escolhidos (antes “interrupção voluntária da gravidez”, agora “morte medicamente assistida”), a extrema-esquerda vai impondo a sua agenda - de causa fracturante em causa fracturante até à fractura final: Francisco Louçã defende “legalização da morte medicamente assistida”

O coordenador do Bloco afirmou que o seu partido irá participar no “combate à obstinação terapêutica” e contribuir para que os cidadãos possam ter “acesso livre e informado à morte assistida”.

Poucos acreditarão que a iniciativa visa, efectivamente, combater a “obstinação terapêutica” mas há um aspecto da mensagem de Louçã que é inteiramente credível. Historicamente, o socialismo nunca foi particularmente eficaz a a proporcionar o acesso dos cidadãos à larga maioria dos bens e serviços, mas revelou-se sempre terrivelmente eficaz a garantir o “acesso livre e informado à morte”.

“Livres e informados” como estamos, estou certo de que em breve daremos mais um passo rumo aos amanhãs que cantam…

Aprecio particularmente o termo “obstinação terapêutica”, ou seja a maçada de os médicos quererem cumprir o Juramento de Hipócrates e serem fiéis àquilo que deve ser a sua função: tratar e curar, mesmo quando a esperança é ínfima, pois inexistente nunca o é e há factos a sustentá-lo.

Mas que fazer? Que se cumpra o acesso àquilo em que, aparentemente, na realidade somos todos iguais: na morte. É o socialismo e a esquerda na sua glória e nas suas causas mais sinceras - igualar a miséria e a morte.


Sábado, 14 de Março de 2009

O que irá definir pobreza ou riqueza?

Via O Insurgente

An alternative history: how poverty fell under Thatcherism, texto de Kristian Niemietz

Looking at the evolution of conventional relative poverty (using a threshold of 60% of contemporary median household income), there is a clear pattern: the poverty rate was stable for decades at around 14%, until, from 1983 on, it suddenly recorded a gigantic leap. In 1990, it reached a record of 24%, not falling by much since then. The conclusion usually drawn is that the market-oriented policies pursued in the 1980s may have improved economic performance, but this was achieved at the expense of the poor.

It must be kept in mind, though, that poverty analyses are extremely sensitive to the poverty measure employed. The Institute for Fiscal Studies has experimented with some
alternative measures. They have set a poverty line at 60% of the median household income of the year 1996/97, and applied it from 1961 to 2006, adjusted to each year’s price level. From this, a totally different picture is obtained.

According to the fixed-threshold measure, more than half of the population lived in poverty in the early 1960s. The rate fell rapidly over that decade, while in the 1970s it showed marked volatility. Most strikingly, the explosion of poverty of the 1980s that the conventional figure shows is not mirrored. Poverty now falls from 1982 to 1988, and then stagnates for a while to fall again after 1995.

Os padrões que definem a pobreza e a riqueza, com a continuação do actual estado de coisas, tenderão a baixar os seus níveis. Sejam eles relativos ou absolutos.

E... la nave va

Quando me questiono ou me questionam o que devia ser feito em e por Portugal, é tamanha o desconhecimento por um lado e o caos da situação por outro que a tendência é para de um modo geral os Portugueses ficarem sem resposta ou responderem disparates.
Na verdade, isto deve-se a que este País desde há muito navegue à bolina e sem objectivos a longo prazo. Tudo aconteceu quase acidentalmente, desde os sucessivos golpes de Estado na I República, passando pela Implantação do Estado Novo, no qual ninguém imaginaria, muito menos o próprio que atendeu ao chamamento com alguma renitência, que um prof. de Coimbra que viria a assumir a pasta das Finanças, não apenas que as iria pôr em ordem como também assumisse poder quase total durante mais de quarenta anos; ninguém imaginaria que a mudança de regime posterior fosse perpetrada por um grupo de militares insatisfeitos, cuja noção de democracia era confusa e deturpada e cujas ideias políticas eram desconexas entre si e cujo objectivo principal era pôr fim à guerra colonial; sem sangue se mudou o regime e sem sangue se impediu que um outro pior assumisse o poder. Desde aí anda o País à sombra de caprichos, venturas e desventuras de dois partidos que partilham à vez o poder sempre sem qualquer ideia firme que não se cinja ao remendo de asneiras anteriores ou ao sucesso eleitoral, sob a égide da mamã (com respectivas mamas) Bruxelas que vai dando dinheiro para esbanjar e normativas para cumprir.
Mas, la nave va e por vezes com resultados surpreendentes. Pois o País em muitos aspectos tem melhorado e tem-se desenvolvido, é certo, mesmo que em muitos outros a degenerescência tenha tomado lugar. Por isso, la nave va, e quem sabe mal por mal não será preferível rendermo-nos ao Taoísmo...

Da partidocracia

Ao falar sobre partidos políticos, prefiro circunscrever-me a Portugal, pois não conheço o suficiente sobre as diferentes realidades lá de fora, embora tenha consciência que muitos aspectos existem em comum. Assim, não é preciso estar muito politizado nem ter pertencido a nenhum partido político para sabermos que eles desde há muito constituem não apenas um meio para algo como um fim em si próprios. Podem ser um meio para muitos, mas não todos devido em particular a contrariedades estatísticas, ascenderem a posições sócio-económicas que doutro modo não almejariam. Assim como ao acesso a cargos de poder executivo público ou privado sobre um grande número de pessoas. Podem ser um fim em si próprios quando referimos a filosofia última de qualquer um dos partidos. Ou seja, quando questionamos para que eles servem, cuja resposta do ponto de vista teórico e que fundamenta a moral da democracia seria servir o país, na realidade eles existem como um fim em si próprios. Isto é para a sua auto-satisfação, chegando ao poder, independentemente do serviço ao País. Daí que seus objectivos dificilmente coincidam com os do bem comum. Assim sendo, o papel dos que estão temporariamente na oposição é simplesmente tentar minar quaisquer iniciativas governativas, de modo a chegar mais depressa ao poder. E de quem está no governo será investir em iniciativas populares, mesmo que estas se revelem a curto, médio ou longo prazo desatrosas mas que valham a próxima eleição. Claro que aqui me refiro apenas aos dois grandes partidos, sendo que os restantes, por coligação ou por "mudança de camisola" mais tarde ou mais cedo atinjam esse mesmo poder. Até lá o seu papel faz lembrar o das hienas, quando atacam com sucesso fazem grande confusão e mixórdia e depois ainda se riem da cevadisse feita.
Foi sintomática a resposta de Manuela Ferreira Leite aquando da sua eleição para líder do PSD ao ser questionada sobre determinada questão, a qual não me lembro, sobre um objectivo assumido na época em que assumia a pasta das Finanças em relação ao qual seu posicionamento no momento actual teria sido alterado, em oposição àquilo que estava a ser levado a cabo pelo actual governo. Sua resposta não deixa margem para dúvidas "uma coisa é o Partido estar no governo outra é estar na oposição". O silêncio da crítica demonstra que tal mentalidade é tão predominante e consensual que passa incólume e despercebida.

Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Sinal dos tempos...

O funesto evento da Alemanha, no qual um jovem desenfrado mata cerca de 15 pessoas, na maioria seus colegas na escola onde estudou, é ilustrativo do tipo de mundo em que vivemos. Malucos sempre houve, mas a repetição sistemática deste tipo de ocorrências vem ao encontro de uma realidade muito simples: sejam quais forem as leis de posse de arma, o individualismo, o egoísmo e a indiferença e isolamento proporcionados pelo tipo de sociedade e de cultura reinantes apenas levam a que o Mal se manifeste incorporando assassinos prováveis ou menos prováveis, dando origem à repetição de actos como estes.

O que os paspalhos do costume, que nesta altura começam a especular sobre projectos de lei estúpidos e vãos sobre a posse de arma, não entendem é que o Mal é real, existe e espreita qualquer brecha, as quais abundam num mundo eminentemente materialista, ateísta e vazio de valores éticos e morais, cujas instituições básicas estão degradadas e inexistentes. É paradigmático que todos, repito todos, os criminosos deste género provêm de famílias destruídas ou inexistentes, submetidos a grandes períodos de isolamento e indiferença em relação à comunidade. Mas pelo visto, os factos que mais são relevados pelos media, são a particularidade do rapaz "gostar de filmes de terror" e de "violência". Muito típico do tipo de análise de hoje em dia, a aparência sobrepõe-se às suas causas e a tudo o resto. É a psicologia behaviorista e congnitiva comportamental em sua glória com suas análises e soluções da cultura de post-it dominante em todo o conhecimento.

Nunca estarei apto a descortinar causas de tão funestos actos, mas um coisa é certa, o modelo cultural e social do Ocidente contemporâneo dá os seus frutos.

Domingo, 8 de Março de 2009

Tema dominical da semana

Death in Vegas - Dirt

Corrente acorrentada ao passado

A Cristina incluiu-me numa curiosa corrente blogosférica, a qual ainda não conhecia, que consiste em transcrever a 5.ª frase da página 161 do livro que estiver à mão. Para lá da curiosidade que tais requisitos de aparência cabalística e esotérica suscitam, há a dificuldade de na actualidade encontrar nesta casa um livro com 161 páginas, pois é muita areia para a camioneta daqui do bestunto, como se pode concluir pelo fraco latim praticado aqui no tasco.

Mas um jeito dá-se sempre, em especial quando se trata de alguém que me é tão simpático, e assim, entre a poeira do tempo (ui que frase original!), encontrei uma relíquia que vem a condizer com o espírito mágico e misterioso da tarefa para a qual fui desafiado.

"E esta verdade encontra a sua justificação na imagem de Baco menino erguido sobre a tampa do vaso hermético."

Fulcanelli - As Mansões Filosofais

Lamento mas não vou prolongar mais a corrente sob pena de dar azo a livros ainda mais perniciosos, tais como as Páginas Amarelas, ou o Coca-Cola Killer do Vitorino de Almeida...

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Inquéritos verosímeis

Acha verosímil que ramificações de facções criminosas brasileiras possam actuar em Portugal?

Questiona pleno de intenção o inquérito do portal O Sapo.
Não sei se quem respondeu e quem elaborou a pergunta faz ideia de que o problema não está na verosimilhança nem na nacionalidade das "facções criminosas", mas sim na facilidade com que qualquer facção criminosa, seja ela russa, romena, brasileira ou sueca entram em Portugal e no espaço de Schengen.

Heitor Villa Lobos - O trenzinho caipira

121 anos de seu nascimento

Provavelmente mais um "conservador de café" ou marxista mal-disfarçado

Ten Conservative Principles
de Russell Kirk

The attitude we call conservatism is sustained by a body of sentiments, rather than by a system of ideological dogmata. It is almost true that a conservative may be defined as a person who thinks himself such. The conservative movement or body of opinion can accommodate a considerable diversity of views on a good many subjects, there being no Test Act or Thirty-Nine Articles of the conservative creed.
In essence, the conservative person is simply one who finds the permanent things more pleasing than Chaos and Old Night. (Yet conservatives know, with Burke, that healthy “change is the means of our preservation.”) A people’s historic continuity of experience, says the conservative, offers a guide to policy far better than the abstract designs of coffee-house philosophers. But of course there is more to the conservative persuasion than this general attitude.

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Ora, ora senhores, isto são conversas de café...

Dizia Aquilino Ribeiro que "a palavra como a lança longe alcança". As palavras deste Café são mais inofensivas do que as do Malhadinhas, por isso nunca o autor pensou alcançar tão longe tão longe e tão acima de si como desta vez, se calhar malogradamente, involuntariamente, o conseguiu.
Neste Café, como é comum em estabelecimentos deste tipo dizem-se disparates, desabafa-se, assumem-se veleidades, por vezes a emoção é mais forte do que a racionalidade. São características próprias de um espaço pessoal sem pretensões a ser fonte doutrinária de qualquer espécie.
O que eu não contava era que isto desse origem a reacções deste tipo, por parte de quem eu sempre tive em conta como alguém mais culto e intelectualmente mais esclarecido do que eu, acusando o toque de algo que nada indica ter sido escrito para ele nem para ninguém em especial.
Numa coisa o Corcunda tem razão em relação a este post, pois ele de facto "responde a menos perguntas do que os buracos que tem", pois aqui o "conservador de Café" reconhece que não tem capacidades para responder a perguntas, e duvida de quem as pensa ter na ponta da língua, sendo precisamente isso que deu origem ao texto em questão. O leitor habitual daqui do tasco sabe que os textos da casa pretendem levantar mais questões do que aquelas a que responde. Se isto acontece por deficiência cognitiva, ou por defesa em relação à sua ignorância, cada um que tire suas conclusões. O que posso dizer é que procuro ter a honestidade suficiente para que as minhas reflexões e divagações presentes nos textos não tenham a pretensão de "ensinar" nem de descobrir a pólvora mas sim com elas comunicar e talvez mesmo aprender, pondo deste modo a escrita em dia num diário público que caracteriza o espaço de um blog.
Noutro aspecto, equivocou-se o Corcunda ao dizer que com meu texto defendo o presente. Embora reconheça que posso não me ter feito explicar bem, mas quem conhece os textos deste blog sabe o tom e a abordagem crítica adoptada em relação ao dito Presente e a tudo aquilo que lhe diz respeito e nem preciso mencionar trotskismos, socialismos e todos os "ismos" execráveis deste mundo, aos quais se chega mais provavelmente prenhes de certezas do que manifestando dúvidas. No entanto, posso ter a veleidade de ter quase a certeza que nada pode ser edificado sem tomar em conta o presente, quer naquilo que tem de mau quer naquilo que nele permanece de uma determinada tradição reabilitável. Para tal ser possível não é suficiente o pensamento e impõe-se a acção.
No meu entender, se na nossa sociedade não resta nem permanece qualquer resquício de tradição valorosa nem homens capazes de nela edificarem algum futuro, então a abordagem ao conservadorismo apenas poderá ser meramente enquadrável em nostalgia saudosista e nesse caso qualquer divagação ontológica tendo em vista uma praxis deixará de fazer sentido, pois ninguém divaga na inexistência ou apenas no passado, excepto sob capricho académico.
To be conservative, then, is to prefer the familiar to the unknown, to prefer the tried to the untried, fact to mystery, the actual to the possible, the limited to the unbounded, the near to the distant, the sufficient to the superabundant, the convenient to the perfect, present laughter to utopian bliss.
Michael Oakeshott, no ensaio On Being Conservative (1956)

Até nos conservadores há o trigo e o joio...

Há pessoas que se dizem e podem por lapso ser identificadas como conservadoras e tradicionalistas, mas que constituem um logro enquanto tal identificação permanecer. Para além de não existir nenhuma corrente ideológica que possa ser identificada como conservadorismo nem tradicionalismo enquanto doutrinas elaboradas por qualquer tipo de sectários,  o seu maior problema reside no facto de este tipo de gente apenas dar valor àquilo que não existe. Isto porque, para começar, eles desprezam e desconhecem tanto a tradição como qualquer progressista ou comum mortal sem qualquer ideologia, e por odiarem tanto o presente e serem tão incapazes de produzir qualquer afecto apenas lhes resta aquilo que jamais poderá ser reabilitado. 
Daí surge um falso cepticismo de quem deixou de acreditar em si próprio, restando a autocomiseração, uma saudade psicótica daquilo que nunca existiu e a defesa daquilo que antemão sabem que nunca existirá.
Estes falsos conservadores e falsos tradicionalistas desacreditam voluntária e involuntariamente os verdadeiros, aqueles que  inspirados numa tradição real e por vezes numa vontade visionária pretendem edificar um futuro sustentado no presente e nessa mesma tradição a qual tem bases assentes em princípios, valores e instituições reabilitáveis. O falso conservadorismo apenas pretende destruir, pois abriga-se tal qual um parasita na desagregação de tudo quanto vê como viável e defendendo-se naquilo que apenas sua doença mental construiu.

Terça-feira, 3 de Março de 2009

No fundo, no fundo...

No Diabo
ONDE PARAM OS €14 MIL MILHÕES DE FUNDOS EUROPEUS DESTINADOS AO NORTE?

A resposta que surge no senso comum é quase instantânea, a qual é: "Nos bolsos da chusma de gulosos de costume". É tão instantânea e odiosa que acaba por ocultar o problema e a questão principal: "Para que servem afinal tais fundos, sejam eles para o Norte, Centro ou Sul? Para quando uma mudança de políticas de... fundo?"

Mimos a mais no tasco

É a última vez que falo no assunto para evitar eventuais repetições, mas tenho de constatar que este tasco anda a ser mimado mais do que o que merece. A Cristina sabe do que falo e mais ainda sabe que nem sempre aqui o cimbalino sai na melhor espessura e o pastel de nata por vezes já tem dias...
Mesmo assim cá está em boa companhia da Ana e do Flávio e do "primaço", vulgo MacWhite, tão maluco quanto um primo que ele tem (quem será esse?...). Caros fregueses e amigos quando me quiserdes tramar, sabeis que é só chamar a ASAE, pois aqui não faltam bolinhos de bacalhau avariados e copinhos de vinho fino cuja rolha já deu de si.
Mais importante do que tal coisa é a conversa animada e o amparo dos dias e noites pachorrentos plenos de pequenos prazeres e pequenos desejos.

Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Divagando pelos mestres

Se, à falta de expressão mais idónea, a nós nos é lícito empregar a palavra "democracia", a Realeza é desta forma o único regime estruturalmente democrático que se conhece na história. E dizemos "democrático, porque só a unidade da soberania, como a Realeza a obtém e consolida, realiza o equilíbrio das classes, sem predomínio, seja ele qual for, de umas sobre as outras.

Detalhando melhor a nossa tese, não se suponha que floreamos com ela um paradoxo impertinente! O grande mestre que foi Fustel de Coulanges já sustentava que a "república" só era compatível com a aristocracia, enquanto que a democracia só se acomodava verdadeiramente à Monarquia. Antes de avançarmos, entendo, porém esclarecer o significado dos dois vocábulos na linguagem do ilustre historiador. "Foi a Grécia - dizia Fustel - que introduziu no mundo o governo republicano, e foi uma classe aristocrática que o introduziu na Grécia". Mais tarde em Roma é a aristocracia que derruba a Realeza, substituindo-a por um Senado que deliberava e por magistrados que executavam as deliberações do Senado. Tanto na Grécia como em Roma, a aristocracia, fundando a República, teve logo o cuidado de afastar a multidão das funções directivas. Mais tarde, no momento em que a república sucumbe, é substituída na Grécia pelos «tiranos» clássicos e em Roma por César que abre as portas ao Império. O que é depois o Império senão um mandato exercido em nome do povo romano?

António Sardinha In Ao Princípio era o Verbo, 1940, pp. 125-140

Domingo, 1 de Março de 2009

Amigos do meu tasco

Em pleno domingo do tempo quaresmal engrosso a lista da esquerda com um novo amigo que me distinguiu com a honra de sua presença no painel de seguidores daqui do tasco. O amigo Flávio Gonçalves, proveniente da sem dúvida mais bela região do País, veio deste modo aguçar e atormentar minha costela anarquista que até ao momento tem estado em paz com os padrões conservadores do espírito que a detém. Pois faça-se paz nos espíritos e nas comunidades entre duas filosofias e/ou modos de estar - incompatíveis com todos os ismos execráveis deste mundo - pois aquilo que as concilia é mais do que aquilo que as separa.
Um grande bem-haja para o mais belo arquipélago do mundo.

Tema dominical da semana

Nick Cave - More news from nowhere