sábado, 14 de março de 2009

Da partidocracia

Ao falar sobre partidos políticos, prefiro circunscrever-me a Portugal, pois não conheço o suficiente sobre as diferentes realidades lá de fora, embora tenha consciência que muitos aspectos existem em comum. Assim, não é preciso estar muito politizado nem ter pertencido a nenhum partido político para sabermos que eles desde há muito constituem não apenas um meio para algo como um fim em si próprios. Podem ser um meio para muitos, mas não todos devido em particular a contrariedades estatísticas, ascenderem a posições sócio-económicas que doutro modo não almejariam. Assim como ao acesso a cargos de poder executivo público ou privado sobre um grande número de pessoas. Podem ser um fim em si próprios quando referimos a filosofia última de qualquer um dos partidos. Ou seja, quando questionamos para que eles servem, cuja resposta do ponto de vista teórico e que fundamenta a moral da democracia seria servir o país, na realidade eles existem como um fim em si próprios. Isto é para a sua auto-satisfação, chegando ao poder, independentemente do serviço ao País. Daí que seus objectivos dificilmente coincidam com os do bem comum. Assim sendo, o papel dos que estão temporariamente na oposição é simplesmente tentar minar quaisquer iniciativas governativas, de modo a chegar mais depressa ao poder. E de quem está no governo será investir em iniciativas populares, mesmo que estas se revelem a curto, médio ou longo prazo desatrosas mas que valham a próxima eleição. Claro que aqui me refiro apenas aos dois grandes partidos, sendo que os restantes, por coligação ou por "mudança de camisola" mais tarde ou mais cedo atinjam esse mesmo poder. Até lá o seu papel faz lembrar o das hienas, quando atacam com sucesso fazem grande confusão e mixórdia e depois ainda se riem da cevadisse feita.
Foi sintomática a resposta de Manuela Ferreira Leite aquando da sua eleição para líder do PSD ao ser questionada sobre determinada questão, a qual não me lembro, sobre um objectivo assumido na época em que assumia a pasta das Finanças em relação ao qual seu posicionamento no momento actual teria sido alterado, em oposição àquilo que estava a ser levado a cabo pelo actual governo. Sua resposta não deixa margem para dúvidas "uma coisa é o Partido estar no governo outra é estar na oposição". O silêncio da crítica demonstra que tal mentalidade é tão predominante e consensual que passa incólume e despercebida.