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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Um dos frutos mais silvestres do regime



A democracia merece o Manuel Almeida. Merece bem pior, pois o regime que dá origem ao reino da insídia e da baixeza política acaba por ser injusto para os manueis almeidas deste mundo, pois eles acreditam, apesar de tudo, no regime. Não são os únicos a acreditar. Todos esses crentes merecem os políticos nos quais votam e conduzem a lugares de destaque. Merecem ser enganados, roubados, vigarizados de todas as formas e feitios, assim o determina o comodismo com que vão repetindo sempre os mesmo erros e assistindo apaticamente aos cenários mais dantescos.
Pena eu não votar em Gaia, pois meu voto ia direitinho para o Sr. Manuel, se não fosse apenas por mera diversão, seria também com a esperança de que o fenómeno de notoriedade do "palhaço" causasse tamanha balbúrdia que desse mais uma "vitória" ao sistema democrático. De resto, acredito mais no Sr. Manuel do que em qualquer outro candidato, pois a humildade do seu estatuto sociocultural preserva-lhe a autenticidade e ele, por menos que preste, não engana. Os outros não só não prestam como mentem sistematicamente, como o regime lhes ensinou de modo empírico.

sábado, 10 de agosto de 2013

Sobre as câmaras ingovernáveis

Mas mesmo que Menezes vença, o problema da governação na Câmara do Porto coloca-se de uma forma aguda. É que para ter uma maioria de vereadores precisa de apoio na oposição. E não se vislumbra como poderá Menezes contar com a candidatura de Rui Moreira, nem com a de Pizarro. E o vereador comunista não chega.
Ler http://expresso.sapo.pt/menezes-ganha-com-camara-ingovernavel=f825342#ixzz2bZDfV54D
 
Estes mérdia são mesmo uns paspalhos. Não existe isso de câmara ingovernável, por causa de resultados eleitorais, existem sim é câmaras desgovernadas, das quais a da capital é o pior exemplo.
Mais: as zonas do país que conseguissem ser mais auto-suficientes, com instituições com bom governo, deveriam ter também mais autonomia de decisão em relação ao Estado macrocéfalo. Sou contra a regionalização, mas a favor da descentralização obtida pelo mérito da auto-suficiência económico-financeira.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Votar no Porto

Rui Rio não é homem de erguer monumentos ao betão armado, nem de rasgar avenidas, ou fazer rotundas e fontes luminosas. Aliás, nada disso foi preciso para se sentir diferenças visíveis na revitalização da Baixa e um regresso da procura de habitação no centro da cidade. A Sociedade de Requalificação Urbana e sua estrutura descentralizada, despartidarizada e autónoma tem feito o seu trabalho com parcos recursos. Mas, tem-no feito.
Rio também não é homem dos conluios e consensos provincianos que se fazem sentir até mesmo na capital do País. É um homem que encarna o espírito da Invicta no que toca a rigor nas contas e ao amor à liberdade.

Está longe de ser um homem e presidente perfeito. A câmara ainda tem muito trabalho para fazer, sobretudo na desburocratização de processos, na requalificação da zona histórica, na captação de investimentos e no relacionamento com algumas forças vivas da cidade.

Os seus opositores, em especial o PS e a sua candidata, pretendem retomar a política de mumificação da zona histórica e seu consequente esvaziamento populacional que tanto mal já fez no passado. Gozam com sua sobranceria elitista com a nova vida que a Baixa tem, pois na verdade detestam a população mais popular do Porto - a qual pelo visto lhes recusa votos - e têm pena de não haver mais feiras populares para transferir para a Circunvalação, de não poderem... transferir o Bolhão talvez para a "zona industrial" e transformar a Avenida num recinto de festejos das vitórias do FCP, desde que não haja barracas de farturas, que horror!, que pelos vistos chocam os apuradíssimos gostos estéticos manifestados no desagrado pelas festas de Carnaval que tiveram lugar na avenida - afinal os museus não costumam ter barraquinhas.

Passados cerca de oito anos, as más políticas dos mandatos PS ainda fazem sentir seus efeitos, tendo estado em equação a demolição dos mamarrachos que foram então erguidos, sendo estas inviabilizadas pelos elevados custos que acarretariam. Isto para não falar nas obras deficientemente concretizadas, cujas empreitadas sabe Deus como foram adjudicadas, em variadas zonas do centro da cidade.

Para que não voltemos para trás, não hesito em apelar ao voto dos portuenses em Rui Rio.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dispersão dos anti-sistema

Independentemente dos resultados dos partidos do arco parlamentar, em relação aos quais destaco o resultado muito positivo do CDS-PP em contraste com o enorme fiasco do PSD - o que vem a demonstrar que o eleitor à direita do PS está farto do discurso ambíguo, cinzentista e socialóide do "centrão" -, tenho sempre de dar uma palavra aos partidos de direita que estão fora do sistema. Apesar da precariedade de seus votos, não deixam de representar as preocupações e o pensamento de muitos portugueses, embora muitos destes, por desconhecimento ou opção em favor dos partidos do sistema, não lhes depositem os seus votos. O PND, o PNR, o PPM e, o mais recente, PPV possuem nas suas fileiras indivíduos com capacidades intelectuais e de trabalho consideráveis, embora, evidentemente, entre outros talvez menos valorosos. O voluntarismo pouco articulado e as "guerras de alecrim e manjerona" na partidarite portuguesa levam a uma dispersão em partidos sem meios nem representatividade suficientes para saírem da "cepa torta". Há que dar o braço a torcer em relação ao Bloco de Esquerda, pois a partir de um aglomerado de partidos e grupos pequenos anteriormente dispersos e sem chances de progressão deu origem a um partido que tem vindo constantemente a crescer em termos de votação e ontem disputou taco a taco a terceira posição com o CDS-PP. Enquanto a direita anti-sistema não fizer isto, de pouco valerá andar pelos blogs a discutir nacionalismos, monarquia e revisão constitucional. Para mudar o sistema é preciso conhecê-lo de modo a saber aquilo que se pode e/ou deve mudar.

domingo, 27 de setembro de 2009

Derrotado: Portugal

Observações daqui do sofá:

  • as expectativas dos socialistas são, como sempre, baixinhas. A falta de condições de governabilidade serve-lhes, desde que ganhem por mais votozinhos.
  • os maiores derrotados deste carnaval foram Manuela Ferreira Leite e os comunas (derrota protelada por circunstâncias anormais em actos eleitorais anteriores). A primeira porque perante uma governação abjecta por parte do adversário principal não conseguiu melhor do que em eleições posteriores a uma governação vergonhosa do seu próprio partido.
  • a extrema esquerda triunfa com cerca de 10% em clima de caos, de ignomínia e de medo. Os totalitarismos são fundados em climas de crise generalizada e de falta de politização das massas.

O cenário de futuro não se afigura nada bom, pois as políticas socialistas terão o beneplácito das bancadas de esquerda, o que poderá determinar o estilo de governação. Em suma, Portugal perdeu, mais uma vez.

ADENDA (22.24): à hora em que redigi este post ainda não estava prevista, aliás só agora poderá estar confirmada, a posição do CDS-PP como terceira força nacional - embora numa luta taco a taco com o BE. Este facto não altera em muito aquilo que foi escrito, mas a pressão da esquerda, neste caso, não será tão acentuada no resultado do escrutínio público nem pela representação no Parlamento.

"Nós Europeus" (lembram-se?) continuamos a dizer não ao socialismo

Mais logo se verá por cá como a coia vai andar, mas não prognostico nada de bom...