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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Para a navegação "distraída"

O dono daqui do café também tem amor próprio, orgulho e mau feitio. Na maioria das vezes, o silêncio é mais insultuoso do que palavras duras e a indiferença mais ofensiva do que o ódio. Aquilo que aqui semeiam é aquilo que colhem. Para bom entendedor...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Nada mais belo do que a praia à noite

O silêncio da noite esconde o tempo, que impiedoso me espreita anunciando com suas trevas dias que eu não queria para mim. Ameaça-me com aquilo que conheço e desconheço, com o nepotismo do mundo dos homens e a ditadura imprevisível do desconhecido.
O horizonte previsível e o invisível misturam-se em tons cinzentos formando um tapete de fumo que passa sob minhas pernas sem que eu nada possa fazer.
O mundo à minha volta esvai-se no ruído insondável do devir, que não é eterno mas sim de uma finitude iminente e inultrapassável.
O mundo físico está transformado em ruínas e em despedidas sem poesia nem emoção.
O poeta deteve-se na sua gruta, rodeado de memórias, que apenas lhe mostram o peso dos anos, dos meses, dos dias...
O caminho ultrapassou o peregrino, a fé enganou o crente, a promessa nasceu da mentira.
Já nem o eco do grito se faz sentir no coração do guerreiro vencido pela cobardia, rendido que está ao mundo dos sentidos.
Resta a esperança de morrer na praia, com o consolo de não haver nada mais belo do que a praia à noite.

sábado, 15 de maio de 2010

Ao oitavo dia...

O oitavo dia da Criação existiu mesmo. Os seus círculos interligados resumem os dias anteriores, sendo o dia em que o Homem fica preso infinitamente na sua estrutura circular.
Mas, o engraçado é que, é a partir daí que ele julga que supera o Criador e a Criação, negando-os.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ruído

Gosto pouco de lugares-comuns, mas admito que alguns estejam correctos. Aquele que diz que "A discussão exige conhecimento", no meu entender, é um deles, tendo-o eu elegido como uma das minhas máximas preferidas, embora desconheça o nome de seu autor ou tampouco se tem autor identificado - o que não acontece com muitas frases deste tipo.
Neste sentido, aborrecem-me e enojam-me as manifestações de ódio, indignações bacocas e polémicas estéreis a que assisto nos média em geral e muito em especial na blogosfera e redes sociais.
A discussão de ideias, assim como a elaboração e desenvolvimento de projectos de índole política-ideológica, deve ser objectiva, serena, formada e informada. Desenganem-se se pensam que escrevo isto em prol da democracia, do civismo, da paz ou de outros chavões do género. Faço-o apenas por estar ciente de que a eficácia de qualquer obra reside essencialmene nesses princípios e que o ruído nada é mais do que ruído.

sábado, 10 de abril de 2010

Datas, frases e graçolas reaças

Se dizemos, nas datas respectivas, "25 de Abril sempre", ao passo que a 25 de Dezembro "é quando o Homem quiser", podemos daqui aferir que até o Natal dá mais liberdade do que a propalada Revolução.
Nota: não gosto do Natal e acho piada às revoluções.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Pelo contrário...

Nem sempre as "raízes" são uma justificação moral aceitável. Neste caso trata-se mesmo de algo execrável, pois o conceito é subvertido. Vagner Love não demonstra respeito algum por tais "raízes" humildes ao juntar-se àqueles que seguiram um caminho não apenas diferente do seu como um caminho desaconselhável a todos os que partilham as ditas "raízes". A tolerância e a camaradagem por quem mata inapelavelmente gente de todas as raízes e destrói a reputação do local em causa, prejudicando assim todo os seus moradores, é o pior desrespeito que pode haver pelas raízes humildes.
Escusado e banal será dizer que quanto ao trabalho social, dar dinheiro, por descargo de consciência - sabe-se lá a quem... - não resolve nada, antes pelo contrário.

sábado, 13 de março de 2010

Fundamentos da liberdade III: familia como instituição anterior à sociedade civil e ao Estado

Assim como a sociedade civil, a família, conforme atrás dissemos, é uma sociedade propriamente dita, com a sua autoridade e o seu governo paterno, é por isso que sempre indubitavelmente na esfera que lhe determina o seu fim imediato, ela goza, para a escolha e uso de tudo o que exigem a sua conservação e o exercício duma justa independência, de direitos pelo menos iguais aos da sociedade civil. Pelo menos iguais, dizemos Nós, porque a sociedade doméstica tem sobre a sociedade civil uma prioridade lógica e uma prioridade real, de que participam necessariamente os seus direitos e os seus deveres. E se os indivíduos e as famílias, entrando na sociedade, nela achassem, em vez de apoio, um obstáculo, em vez de protecção, uma diminuição dos seus direitos, dentro em pouco a sociedade seria mais para se evitar do que para se procurar.

Querer, pois, que o poder civil invada arbitrariamente o santuário da família, é um erro grave e funesto. Certamente, se existe algures uma família que se encontre numa situação desesperada, e que faça esforços vãos para sair dela, é justo que, em tais extremos, o poder público venha em seu auxílio, porque cada família é um membro da sociedade. Da mesma forma, se existe um lar doméstico que seja teatro de graves violações dos direitos mútuos, que o poder público intervenha para restituir a cada um os seus direitos. Não é isto usurpar as atribuições dos cidadãos, mas fortalecer os seus direitos, protegê-los e defendê-los como convém. Todavia, a acção daqueles que presidem ao governo público não deve ir mais além; a natureza proíbe-lhes ultrapassar esses limites. A autoridade paterna não pode ser abolida, nem absorvida pelo Estado, porque ela tem uma origem comum com a vida humana.


CARTA ENCÍCLICA
«RERUM NOVARUM»
DO PAPA LEÃO XIII
SOBRE A CONDIÇÃO DOS OPERÁRIOS

Fundamentando a liberdade II: propriedade, lei natural, civil e divina

É, pois, com razão, que a universalidade do género humano, sem se deixar mover pelas opiniões contrárias dum pequeno grupo, reconhece, considerando atentamente a natureza, que nas suas leis reside o primeiro fundamento da repartição dos bens e das propriedades particulares; foi com razão que o costume de todos os séculos sancionou uma situação tão conforme à natureza do homem e à vida tranquila e pacífica das sociedades. Por seu lado, as leis civis, que recebem o seu valor(1), quando são justas, da lei natural, confirmam esse mesmo direito e protegem-no pela força. Finalmente, a autoridade das leis divinas vem pôr-lhe o seu selo, proibindo, sob perla gravíssima, até mesmo o desejo do que pertence aos outros: «Não desejarás a mulher do teu próximo, nem a sua casa, nem o seu campo, nem o seu boi, nem a sua serva, nem o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença» (2) .

E assim deambulo, noite dentro, pela lógica e ética cristalinas do Rerum Novarum

Abordando fundamentos da liberdade


23. Muitas outras coisas deve igualmente o Estado proteger ao operário, e em primeiro lugar os bens da alma. A vida temporal, posto que boa e desejável, não é o fim para que fomos criados; mas é a via e o meio para aperfeiçoar, com o conhecimento da verdade e com a prática do bem, a vida do espírito. O espírito é o que tem em si impressa a semelhança divina, e no qual reside aquele principado em virtude do qual foi dado ao homem o direito de dominar as criaturas inferiores e de fazer servir à sua utilidade toda a terra e todo o mar: «Enchei a terra e tornai-vo-la sujeita, dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra»(33). Nisto todos os homens são iguais, e não há diferença alguma entre ricos e pobres, patrões e criados, monarcas e súbditos, «porque é o mesmo o Senhor de todos»(34). A ninguém é lícito violar impunemente a dignidade do homem, do qual Deus mesmo dispõe, com grande reverência, nem pôr-lhe impedimentos, para que ele siga o caminho daquele aperfeiçoamento que é ordenado para o conseguimento da vida interna; pois, nem mesmo por eleição livre, o homem pode renunciar a ser tratado segundo a sua natureza e aceitar a escravidão do espírito; porque não se trata de direitos cujo exercício seja livre, mas de deveres para com Deus que são absolutamente invioláveis.


CARTA ENCÍCLICA
«RERUM NOVARUM»
DO PAPA LEÃO XIII
SOBRE A CONDIÇÃO DOS OPERÁRIOS

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Visto de outro prisma

Sportinguistas detractores de Carvalhal e da actual direcção, 0 - Portistas detractores de Jesualdo Ferreira, 3

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Melancolias pueris

Não há nada mais solitário e melancólico do que a noite de 25 de Dezembro. Para quem a viver como Natal. Recordações de curto prazo ou de véspera. Recordações de longo prazo, de Natais anteriores. De Natais mais felizes para os agora infelizes, de Natais mais infelizes para os agora felizes, ou... menos infelizes. O cheirinho a canela e o travo suavemente salgado do bacalhau, umas luzes tremeluzentes ao som de alguma música de fundo imprecisa e um certo burburinho de crianças resta sempre como algo que ficou gravado na memória deste dia e apenas deste dia. Para mim Natal será sempre noite, sinónimo de consoada, sinónimo de uma estrela que brilha no céu no meio de muitas outras tal como naquele qualquer postal que me corta a respiração por me fazer lembrar sei lá o quê, sinónimo de véspera e expectativa de algo que irá acontecer, ao contrário do dia que é uma pura contemplação do acontecido.

sábado, 12 de dezembro de 2009

O Natal de hoje


Não me cabe a mim nem a ninguém fazer julgamentos morais sobre as crenças e descrenças das pessoas. No entanto, não é difícil constatar o facto de que os eventos e festividades com grande impacto social e cultural, tais como Natal, Páscoa, etc. têm uma origem religiosa. Contudo, o seu significado religioso perdeu-se numa massa amorfa, agnóstica e materialista. Daí que a vivência de tais festividades tenha adquirido o carácter dominante da cultura de massas dos dias de hoje: o comércio, o culto da posse dos objectos de desejo temporário e a ostentação de uma imagem de prosperidade e de poder.

Assim, pode ser que o humilde mas politicamente incorrecto presépio dê lugar a frondosas e ecológicas árvores de Natal. Pode ser que deste modo esqueçamos de vez a incómoda origem religiosa e nesse caso, as laicos e as laicas deste mundo não tenham tantos problemas de consciência na hora de gozar o feriado e de receber o subsídio respeitante.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Curiosidades cafeanas

Os gajos que estavam nas torres de vigia que rodeavam o Muro de Berlim, do lado Leste, a vigiar se alguém pulava a cerca, eram os mais privilegidos do regime. Pois estavam a uma altura suficiente para ter algumas vistas do lado ocidental. Será que a Stasi tomava isso em conta?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009