Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Ler os outros

E o Carnaval continua de Susana Barbosa no Arestália

Vivemos num país de “faz de conta”. Vivemos num país de mentiras. Esta é a realidade que os portugueses sentem nas suas vidas, cada vez que quem nos governa nos quer fazer crer que a crise em Portugal, não passa apenas de uma mera conjuntura internacional, quando todos sabemos que felizmente para alguns, e infelizmente para a esmagadora maioria, a crise no nosso país se arrasta de há vários anos, diremos mesmo de há várias décadas, com a “alternância” de (des)governos displicentes, que mantêm no poder governantes mais interessados em servir-se dos recursos da nação em prol do seu bem-estar e de quem os rodeia [...]

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

O Carnaval vai nu em Braga assim como no resto...

O segundo comandante da PSP, Subintendente Henriques Almeida, adiantou anteriormente à Lusa que a exposição dos livros estava a atrair a curiosidade das crianças que brincam na zona - uma área pedonal no centro da cidade - cujos pais se mostravam incomodados com o facto.
As crianças, que ali brincam em grande número, terão visto o livro e começado a chamar outras para irem ver a pintura, o que levou as mães e os pais a chamar a PSP, acentuou.
"Havia possibilidade de haver discussões e mesmo desacatos entre os livreiros e os pais das crianças", afirmou, frisando que vários cidadãos se dirigiram ao piquete da polícia que se encontra "de guarda" ao Banco de Portugal queixando-se e ameaçando "tomar medidas".
Henriques Almeida afirmou que, pessoalmente, "não considera a reprodução do quadro como pornográfica", garantindo que não foi "censória" a intenção da acção policial.
"Se não tivéssemos agido e houvesse desacatos, éramos criticados... Assim, decidimos agir preventivamente", sublinhou.

Não podia deixar de vir aqui chatear um bocadinho os diversos "istas" nacionais, tais como progressistas, liberalistas e demais ideólogos carregados de pruridos doutrinários, acerca dos acontecimentos de Braga.
  • A apreensão dos livros em questão não se deveu ao conteúdo dos mesmos mas sim aos efeitos que estavam a causar. Efeitos esses que pelo visto estavam a afectar a ordem pública. O papel da polícia é assegurar esta.
  • O facto de ter sido uma iniciativa localizada de um organismo público demonstra capacidade de autonomia em relação a poderes centrais. Tivesse vindo uma ordem do género da sede de uma qualquer instituição de autoridade e aí teríamos pano para mangas para dissertar sobre a censura e o autoritarismo do Estado ou entidade paralela. Não foi o que aconteceu. Aliás, o efeito que determinado livro ou outro suporte de comunicação causa em Braga é diferente do que causará no Porto, Lisboa ou Faro. Daí faz sentido que as autoridades policiais tenham autonomia e liberdade de decisão. Se feriram alguma constitucionalidade ou regulamento, pois que o justifiquem devidamente com factos. E isso já o tentaram começar a fazer perante a comunicação social.
  • É incrível que os incondicionais apoiantes da regionalização e descentralização se indignem contra aquilo que chamam "o abuso de poder dos quadros médios e regionais dos organismos públicos". Quando houver regiões de facto não é suposto elas terem autonomia que lhes permita discernir tendo em conta as especificidades da região onde vivem?
  • Tudo isto me leva a concluir que liberalistas e progressistas querem eles sim impor uma moral ou falta dela a todos os outros cidadãos e instituições, mostrando-se quando esses padrões morais-doutrinários são infringidos mais centralistas do que Mussolini.
  • É ridículo haver agitação devido a uma imagem de nudez? Talvez sim. Têm as pessoas o direito a reagirem consoante seus padrões morais e sociais a determinado estímulo? Têm desde que não afectem a ordem pública. A ordem pública foi afectada e a polícia local agiu. Não seria ainda mais atentatório contra as liberdades e garantias se ela tivesse procedido à admoestação ou detenção dos alegados agitadores?
  • O corporativismo de antanho não podia faltar aqui e a Apel já veio a lume também bradar aos céus pelo acto da polícia. Não seria mais razoável dialogar com as autoridades locais e estudar um modo de colocar o livro sem causar os efeitos em questão, indesejados para as vendas bem por certo?

É preciso um haver barulhinho qualquer para as máscaras de Carnaval caírem de maduras...

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

O Estado desuducado apenas deseduca

Via O Povo

A sensação generalizada na sociedade é que o ensino particular é uma coisa para ricos. Não admira, pois quem quiser escolher a escola dos filhos tem de pagar duas vezes, nas propinas a educação dos seus e nos impostos a educação dos outros. Isto até no ensino obrigatório, que a lei diz dever ser gratuito. Deste modo, o Estado recusa aos pobres a liberdade que a Constituição lhe confia.

De onde vem a limitação? "Não é a Constituição, nem a lei ordinária que impõem o monopólio escolar do Estado de facto existente, designadamente o monopólio do financiamento público; são as práticas governativas e administrativas, aliás em desobediência à lei" (p. 47). Sucessivos governos, apesar da evidência da catástrofe educativa, insistem em forçar o contrário da legislação.

Não se podem invocar razões económicas para tal, pois, como Mário Pinto demonstra, "dado que o custo médio por aluno na rede das escolas do Estado é mais elevado do que o custo médio por aluno nas escolas privadas (...), é mais económico para o Estado pagar o ensino nas escolas privadas do que pagar o ensino nas escolas estatais" (239). Acontece assim este paradoxo de os pobres terem uma educação mais cara que os ricos, com o Estado a esconder o facto e a expandir a solução ruinosa.

Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Leituras de cá de casa

O consumismo
E quanto ao consumismo, que é visto por muitos como a cultura que o mercado produz? É um problema genuíno e disseminado que aflige a alma. Surge quando o objetivo de nossas vidas é o acúmulo de riqueza e prazeres materiais. Nesse sentido, é realmente uma forma contemporânea da antiga blasfêmia da idolatria. Mas nos lembremos de que quando falamos sobre o consumismo e o materialismo, estamos tratando de problemas da cultura, não da economia. De fato, embora o mercado ofereça muitas tentações a que devemos resistir, ele também fornece os meios para superá-las. Oferece-nos meios concretos para nos orientarmos a uma existência que olhe além das preocupações do aqui e do agora. Por exemplo, a revolução da informação trouxe-nos mais oportunidades para o fortalecimento de nossa fé: online. E talvez seja útil lembrar que o ato de ler a Bíblia nos é possibilitado pelo empreendedorismo: houve um tempo em que havia apenas uma versão um tanto cara copiada à mão na igreja e ler era algo que a maioria das pessoas não conseguia fazer depois dos 40, 50 anos, se vivesse tanto. Agora, a eletricidade permite-nos ler na escuridão da noite. Pense nisso: a leitura antes de dormir, um prazer que muitos de nós nos permitimos, teria sido relativamente desconhecido à maioria de nossos ancestrais devido à falta de livros baratos e de eletricidade.

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Esta gente não aprende


Não aprende que

  • Se o povo do Porto confundisse e/ou misturasse política e cidadania com futebol, Rui Rio nunca teria ganho duas eleições autárquicas seguidas. Sendo a segunda com uma maioria ainda mais folgada, após um mandato com uma série de polémicas com o clube maior da cidade, algumas delas bem escusadas.
  • Está mais que provado que uma ligação estreita entre política autárquica e futebol não conduz a mais nada senão a corrupção e dinheiro mal gasto. A capital do país é uma das primeiras a dar o mau exemplo. Isso é motivo para o Porto, que gosta de fazer a diferença, lhe seguir as pisadas?
  • A presença do primeiro-ministro na apresentação de candidaturas para eleições onde ele não deve ser tido nem achado não faz sentido nem nunca deu bons resultados. Mesmo que ele estivesse lá na qualidade de presidente do PS, qualidade essa que aparentemente ele não reivindicou. Aliás, a candidatura de Elisa Ferreira diz-se "independente". Por que carga de água estava lá o Soares também, o qual nunca ligou patavina ao Porto, também ficamos todos sem saber.
  • Tendo em conta ponto anterior, "independente" porquê e em quê?
  • Resta-nos a todos que gostamos do Porto e não queremos que a cidade volte para trás depositar o voto, mesmo que com algum sapo engolido, em Rui Rio sabendo que ele não tem sido brilhante, mas sim o mal menor.
  • Fica o desconsolo por neste momento não haver outras alternativas, nomeadamente à direita e de sabermos que o Porto merecia melhor, pois é mais importante do que qualquer partido, ou qualquer ideologia política.

Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

Mudanças

Os leitores hão-de pensar que eu não ando muito bem da cachimónia, estando sempre a alterar a roupagem daqui do tasco, mudando de template como quem muda de camisa. Pois não sei por que carga de água, o template anterior deixou de exibir os posts. Isto há mistérios do arco da velha, mas enfim. Do mal o menos, não se perdeu nada e este aqui também não me parece mal.
A lista de links, como podem ver, também foi alterada, sendo esta mais dinâmica pois mostra as actualizações dos blogs que lá estão. Aproveitei para fazer uma certa limpeza, eliminado alguns e acrescentando outros que passaram a  ter a minha visita. O critério foi simplesmente a eliminação de blogs já desactivados e outros que por motivos vários fuii deixando de visitar, logo sua presença tornara-se inútil. Alguns podem ter sido esquecidos sem haver qualquer motivo aparente.

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Haverá novidade no horizonte político?

Na semana passada, mais precisamente no dia 2 do mês em curso, o Partido da Liberdade (PL) conseguiu a tarefa hercúlea de reunir as 7500 assinaturas exigidas pelo Tribunal Constitucional. A líder Susana Barbosa fala no preenchimento de um espaço no espectro político nacional, caracterizado por uma "nova direita". Um novo espaço à direita, no meu entender, faz bastante sentido tendo em conta o panorama decepcionante de populismo e de social-desorientação a que está entregue a direita nacional, a juntar à crise de protagonistas e a querelas estúpidas e pessoais.
Daí que o surgimento de um partido naturalmente pode fazer despertar sentimentos de esperança. Contudo, nestes casos a ponderação impõe-se e na leitura que faço do blog da autoria de Susana Barbosa, há sinais positivos e outros nem por isso. Como um dentre os positivos, logo para começar, destaco a assunção sem complexos de uma matriz política de Direita e de um nacionalismo moderado, num país em que durante tanto tempo ambas as definições eram e ainda são tabu. Mas, de novo mesmo, é a ideia da descentralização do Estado, por meio do municipalismo - modelo este meu preferido e até agora sem correspondência em nenhum programa partidário; e noutro sector está em destaque a renovação e dignificação das Forças Armadas e a defesa do regresso ao serviço militar obrigatório e universal, aspecto este que não sendo nada popular nem consensual mostra que o PL tem ideias bem assentes sem preocupações eleiçoeiras. No resto, a defesa da instituição família, o alívio da carga fiscal e o incentivo à iniciativa privada, não são novidade em termos de ideias programáticas, mas é sempre agradável constarem de um programa novo quanto mais não seja para constituírem a esperança de finalmente alguém ter a coragem de os pôr em prática.
Como menos positivo - que será dizer aquilo que menos vem ao encontro de minhas ideias e daquilo que eu acho que não cria nada de novo - encontro quer no programa quer nos textos de Susana Barbosa a já propalada rejeição da Globalização "económica, financeira e cultural por atentória da identidade e da independência das nações". Aqui o PL chove no molhado quanto à direita nacionalista já existente a qual vai malogradamente ao encontro da esquerda mais à esquerda da área do Bloco e do PCP, embora com uma linguagem ligeiramente diferente. Ou seja, tal anuncia um populismo que já conhecemos da defesa do proteccionismo e do mercantilismo socialista e a consequente política subsidiária quanto a uma economia dependente do Estado. E isto é do que o País no momento presente menos precisa.
Numa altura em que a direita precisaria de uma força dinamizadora e mesmo refundadora, não me parece ver no horizonte notícias novas, mas sabe-se lá...

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Importações do Café

Quando deambulo pelos blogs que gosto nem sempre tenho a sorte de ler algo que venha tão ao encontro daquilo que eu gostaria de ter escrito como este post: Os turras do caviar de Nuno Castelo Branco in Estado Sentido.
Pena o tema não ser dos melhores e em outras circunstâncias seria mesmo de gosto duvidoso, não estivesse a actual conjuntura vida política e social do nosso País envolta em tão denso lodaçal.

ADENDA: Já não há pachorra para o felatio que os ditos blogs de referência da "direita" têm feito ao BE com as supostas "coberturas jornalísticas" ao congresso, ou coisa que o valha, desse grupo. Como se não bastasse ligar o aparelho de televisão e nos depararmos com a injecção do dito, temos o voluntarismo da "direitinha modernaça" com constantes clips de YouTube, comentários e graçolas e o diabo que os carregue. O que nos leva a questionar se eles não serão todos do mesmo condomínio privado...

O povo agradecido





Estará o PM a pensar na "esquerda do povo", ou no "povo de esquerda", ou só na esquerda, ou - menos provável - só no povo?

O Povo, essa massa informe, oprimida, devido às costas largas que tem, de esquerda ou de direita, está bem decerto imensamente agradecido a José Sócrates e ao PS perante assuntos de tal importância, justeza e urgência.

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Nasceu neste dia...

... o Padre António Vieira. Tão-só alguém que pensou Portugal, conjecturou-lhe um destino que se projectava para o resto da Humanidade e do Mundo. Ele próprio espalhou sua mensagem pelo mundo, mensagem essa religiosa, filosófica, política, poética.
Tudo aquilo que for aqui dito é incompleto, insuficiente e vago. Em suma um homem para lá de todos os tempos e espaços.

Momento de poesia

INSOMNIO de Jorge Luis Borges (do livro
El otro, el mismo, 1967)
De fierro,
de encorvados tirantes de enorme fierro tiene que ser la noche,
para que no la revienten y la desfonden
las muchas cosas que mis abarrotados ojos han visto,
las duras cosas que insoportablemente la pueblan.
Mi cuerpo ha fatigado los niveles, las temperaturas, las luces:
en vagones de largo ferrocarril,
en un banquete de hombres que se aborrecen,
en el filo mellado de los suburbios,
en una quinta calurosa de estatuas húmedas,
en la noche repleta donde abundan el caballo y el hombre.
El universo de esta noche tiene la vastedad
del olvido y la precisión de la fiebre.
En vano quiero distraerme del cuerpo
y del desvelo de un espejo incesante
que lo prodiga y que lo acecha
y de la casa que repite sus patios
y del mundo que sigue hasta un despedazado arrabal
de callejones donde el viento se cansa y de barro torpe.
En vano espero
las desintegraciones y los símbolos que preceden al sueño.
Sigue la historia universal:
los rumbos minuciosos de la muerte en las caries dentales,
la circulación de mi sangre y de los planetas.
(He odiado el agua crapulosa de un charco,
he aborrecido en el atardecer el canto del pájaro.)
Las fatigadas leguas incesantes del suburbio del Sur,
leguas de pampa basurera y obscena, leguas de execración,
no se quieren ir del recuerdo.
Lotes anegadizos, ranchos en montón como perros, charcos de plata fétida:
soy el aborrecible centinela de esas colocaciones inmóviles.
Alambre, terraplenes, papeles muertos, sobras de Buenos Aires.
Creo esta noche en la terrible inmortalidad:
ningún hombre ha muerto en el tiempo, ninguna mujer, ningún muerto
porque esta inevitable realidad de fierro y de barro
tiene que atravesar la indiferencia de cuantos estén dormidos o muertos
-aunque se oculten en la corrupción y en los siglosy
condenarlos a vigilia espantosa.
Toscas nubes color borra de vino infamarán el cielo;
amanecerá en mis párpados apretados.
Adrogué, 1936

Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Regicídio - filme inédito transmitido pela RR dos funerais de Suas Altezas Reais

O tema dominical desta semana é marcado por este funesto aniversário. As nações também pagam pelos seus actos, por vezes com consequências que dificilmente se desvanecem.