terça-feira, 24 de novembro de 2009

Antecipação do mercado de Janeiro

Quando o mercado de Inverno começa a dar os primeiros sinais de movimentação na Imprensa desportiva, eis que surge a primeira contratação que alguns esperam dar brado: o dono daqui do tasco foi "contratado", por milhões dizem, para vestir a camisola de outro clube, de cores vermelha e azul, que dá pelo nome de (Real) Estado Sentido FC - o Real e o FC são a parte... berdadeira.
Aqui esta pequena agremiação dos Distritais continuará a ter vida própria, enquanto os craques e respectivo dopping o permitirem.

domingo, 22 de novembro de 2009

Serviço público cafeano

Francisco Pedro Gontier (Maine) de Biran (1766-1824)

A Ideia de Deus

A causa de todas as existências, que é o objecto próprio da razão, não pode por esta ser concebida senão como necessária, una, absoluta, eterna e imutável, ou não seria ela o objecto mesmo dessa razão. Todas as verdades necessárias que o nosso espírito encontra, e que não engendrou, têm esse carácter essencial de eternidade e imutabilidade; elas eram, antes que o nosso espírito as pudesse ter engendrado, e serão as mesmas depois de o nosso espírito cessar de as aperceber; e serão ainda, quando já nenhuma inteligência finita como a nossa as compreenda.

[...]

O Panteísmo

Já o panteísmo, que ignora ou nega o individuo e a personalidade, para tudo reduzir à ideia abstracta e colectiva de substância, acaba excluindo aquelas que são as unidades por excelência: Deus, e o Eu como consciência.

Eis a negação absoluta da religião como moral; eis o produto monstruoso da razão em toda a sua força, uma razão que, de um ponto de partida falso, vai por longo e tortuoso caminho chegar ao último termo do absurdo. O sentimento moral e religioso desaparece do coração humano, é a morte completa. E, se nos privou de tudo o que valoriza a existência, muito bem faz o panteísmo de nos privar também da própria existência, já que nega que somos pessoas verdadeiras.

sábado, 21 de novembro de 2009

Uma lição de vida

Tive sempre um certo orgulho e uma grande honra em ter sido companheiro de blog de Jorge Ferreira no Novo Rumo. De perto sempre segui o Tomar Partido, o qual, apesar de sua doença prolongada, Jorge Ferreira sempre manteve actualizado, o que torna a notícia de sua morte quase inacreditável, pois ainda anteontem ele pôs lá seu último post.
A sua participação política é um exemplo para toda a canalha actual, caracterizando-se por uma capacidade de trabalho imensa e abnegada desde os tempos de liderança parlamentar até à participação naquilo que se sabia ser uma causa a curto médio prazo perdida, chamada de Nova Democracia.
Quando depois das eleições o blog Novo Rumo esmoreceu, como seria de prever, Jorge Ferreira, apesar de já bem doente deu um exemplo de dignidade elaborando um texto anunciando sua saída, coisa que muitos de nós por lá, eu incluído, não nos demos ao trabalho de fazer.
Uma lição de vida para todos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Momento de poesia

Primeiro, amai vossa Pátria;
Às mais, depois, vez e hora;
No altar acendem-se as velas;
- Mas de dentro para fora.

Nações diversas: e sonham
Fundi-las numa! Bem vês:
Só Deus é um; e, assim mesmo,
Quantas Pessoas? São três!

Amai a Pátria; e, na Pátria,
Amai o mundo em redor
Seja a terra como a igreja
E a Pátria o seu altar-mor.

O amor da Pátria, - qual facho
Erguido à mão de Jesus, -
Não tenta queimar as outras,
Mas dar-lhes a própria luz.

De António Correia de Oliveira, da obra Roteiro de Gente Moça, 1936

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Deram asas à Nikita...

Oh Nikita you will never know, anything about my home!

Uns quatro anos antes da queda do propalado Muro, nós os livres ocidentais gramávamos com esta lenga-lenga vezes sem conta, em especial no livre Portugal com os seus dois ultralivres canais de TV e de rádios que se copiavam e ainda copiam umas às outras. Não tardou assim muito para a Nikita ganhar asas e experimentar Red Bull e Coca-cola em conjunto com as diversas maravilhas do capitalismo.
O que levaria um americano homossexual a fotografar obessessivamente uma soldadinha de chumbo da RDA e a andar em vaivém pelos dois lados de Berlim, para depois imaginar diálogos e tête a têtes intercivilizacionais em sessões de slides, no conforto capitalista de seu lar, é que dificilmente será entendido por quem não se lembra da propaganda bacoca que dos dois lados brotava.
Com a queda do comunismo, o seu fantasma mantém-se bem vivo, tornando-se a Nikita uma social-democrata do caraças, com sua vida privada na mesma vigiada e condicionada em nome do progresso e da igualdade. O ódio ao Cristianismo e o desprezo pela vida humana mantêm-se iguais, no entanto Nikita ter-se-á sentido aldrabada ao assistir à dissolução das instituições e das soberanias e respectivo sentimento nacional. Entretanto, vai trocando de telemóvel e de carro enquanto se endivida com o cartão de crédito. Excepto no caso de este ser pago por alguma prebenda honorífica pela sua participação activa na vida política, exercendo cargos públicos onde aprendeu que o roubo e a corrupção não eram exclusivo do seu antigo mundo, em relação ao qual terá alguma saudade da vergonha e do decoro que pelo menos encobriam o esterco e davam alguma dignidade à coisa pública.
Resta à Nikita, no entanto e por enquanto, a liberdade de poder dizer "Isto afinal é uma merda!" sem que a Stasi a chateie. Mas cuidado, Nikita, com alguns tribunais federais e respectivos sabujos paara aí andam e que para eles vigiam.

Curiosidades cafeanas

Os gajos que estavam nas torres de vigia que rodeavam o Muro de Berlim, do lado Leste, a vigiar se alguém pulava a cerca, eram os mais privilegidos do regime. Pois estavam a uma altura suficiente para ter algumas vistas do lado ocidental. Será que a Stasi tomava isso em conta?

domingo, 8 de novembro de 2009

Tema dominical da semana

Dois melros encomódão os órgãos de soberania (a qual já tem bem adoentadita coitada) com uma viola, um megafone e uma vontade indómita de se tornarem um caso de sucesso com início original. São artistas portugueses com o humor que os actuais órgãos de soberania merecem. No fim conseguiram ser presos e tudo. Quanto aos órgãos, esses vivem perturbados mas não abalados com múltiplos soundbytes que andam à volta das maroscas cometidas de modo imperturbável.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Em nome do progresso!

A Federação Socialista dos Estados Europeus, vulgo União Europeia, deu mais um passo determinante na disseminação do progresso. Mostrou que um dos seus órgãos, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, está ali para mostrar e salientar o poder efectivo e coercivo da dita União nas soberanias que tiveram a felicidade de a compor. Poder este que é aplicável, evidentemente, no plano judicial, com repercussões e intenções sociais e culturais bem delineadas.
O progressismo universalista que caracteriza a UE mostra assim que o seu papel não é apenas orientador ou quanto muito manipulativo. Ela tem prerrogativas de autoridade coerciva e intrusiva que fariam inveja a tantos poderes de outrora, cujo papel na história já foi mais do que dissecado.
Por outro lado, a limpeza cultural e religiosa da coligação de circunstância ateísta-islâmica está a começar a colher frutos importantes, cujas armas são por demais conhecidas e de novo pouco possuem: a denúncia pura e simples, sustentada numa legislação proibicionista e adversa a especificidades culturais e/ou locais que se desviem da cultura do poder vigente.
Temos novo Império Otomano prestes a mostrar sua glória, com a Laica de um lado e Maomé do outro. Resta saber por quanto tempo eles se predispurão a dividir o poder e Maomé não envia a Laica em novo Sputnik para Nenhures... Para completar o ramalhete, a história repete-see mais uma vez no que toca ao papel que os progressistas são exímios a desempenhar, muito apreciado pelos antigos sovietes: o de idiotas úteis.
E assim vão as glórias do Mundo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sobre o municipalismo

Na sequência deste post da Cristina:

1ª Tese

O Município não é uma criação legal. Anterior ao Estado, é preciso defini-lo e tê-lo como organismo natural e histórico.

2ª Tese

A descentralização administrativa não é, por isso, suficiente para resolver o problema municipalista.

3ª Tese

Órgão da vida local, inteiramente extinta, mas que é preciso ressuscitar para que haja vida nacional consistente e intensa, o Município deve ser restaurado nos termos em que vicejaria hoje o velho e tradicional município mediévico, se o seu desenvolvimento não tivesse sido estrangulado por factores de sobejo conhecidos.

4ª Tese

Essa restauração do nosso antigo Município equivale a considerá-lo não como uma simples função administrativa, mas como um centro de vida própria, espécie de unidade orgânica, abrangendo todas as relações e interesses dos seus convizinhos, desde o ponto de vista familiar e económico até ao ponto de vista cultural e espiritual.

5ª Tese

Restaurado em tais condições, o Município, simultaneamente suporte e descongestionador do Estado, contribuirá para atenuar a crise mortal que este atravessa, vítima do centralismo excessivo que o depaupera e abastarda.