domingo, 29 de abril de 2007

O espírito inquisitorial da escolástica enviesada

Os perseguidores do pensamento subversivo, o qual eles qualificam muitas vezes de "perigoso", têm como muletas esquemas de raciocínio que fazem lembrar o silogismo escolástico, se bem que numa versão algo enviesada. Ora vejamos:
  • A é ditador fascista
  • Todos os que não atacam abertamente A são fascistas
  • B chegou a admitir qualidades a A
  • Logo B é fascista
  • E todos os que citam e gostam de ler B são fascistas

NOTA: qualquer ironia, sarcasmo ou anacronismo histórico não podem ser tomados em conta neste modelo matemático e rigidamente objectivo.

Ora aqui estão exemplos da aplicação deste brilhante raciocínio (atenção: exercício perigoso, não tentem fazer isto sozinhos nas vossas casas):

Mais uma vez: alguém me consegue explicar por que é que por detrás de tantos liberais intransigentes se escondem admiradores mais ou menos confessos da ditadura salazarista? Será pela mesma razão que levou Ludwig von Mises a elogiar o fascismo italiano? De facto, uma das grandes referências do «liberalismo clássico» no século XX, num livro intitulado «Liberalismo», escreveu que o fascismo italiano merecia um lugar de honra nos anais da história pelo facto de ter salvo a propriedade privada na Europa.

Quem disse que a Inquisição tinha morrido? Vejam só o que acontece a quem cita post fascistas como este:

Julgo que é agora claro que André Azevedo Alves (AAA) é um «liberal» apostado numa forma particularmente insidiosa de revisionismo histórico do salazarismo. O objectivo é o de reabilitar a «obra» do regime ditatorial fascista. É evidente que como bom «liberal» AAA não se pode declarar abertamente salazarista. Então opta por um estilo de propaganda em que a sua opinião como que se apaga para ser tantas vezes substituída pela de outros que não têm os pudores (ou a boa dose de hipocrisia) de AAA.

Resta-me questionar se o mesmo "silogismo" irá aplicar-se a tantos e tantos que, quase sempre legalmente, teceram loas aos regimes ditos comunistas, em especial a Estaline e derivados, responsáveis por milhões de mortes e outras atrocidades. Não acredito. Pois aí os "culpados" seriam tantos que impossibilitariam a exequibilidade de qualquer julgamento.

8 comentários:

Sininho disse...

Dizem os "entendidos" que ainda não passou tempo suficiente para arrefecer as cabecinhas maniqueístas:
Os "fascistas" e os que se proclamam "anti-fascistas"...
Entretanto, a Inquisição continua vivinha da silva na alma de muito pseudo-democrata.

Pedro disse...

Sininho
Tem cuidado que ainda és identificada como uma perigosa fascista da nossa praça. Eles "andem" aí...

Pequena Papoila disse...

Então serei eu "fássista" quando comento sobre Salazar?! Ou "comuna" quando comento sobre a Odete Santos ou Cunhal...
Será um "grande dilema" que coloco a mim própria e com o qual me "debato freneticamente". Toda esta "questão" traz-me "grandes dúvidas existenciais"! :))))))) Sem dúvida, alguma! ;)

Pedro disse...

Áurea, cuidado que há dúvidas existenciais não resolvidas que em tempos já resultaram em boas temporadas de cadeia e mimos vários...

AA disse...

Bem-vindo às hostes fásssistas!

Pedro disse...

Obrigado, António, pelas boas vindas, mas aviso desde já que não sou lá muito bom a decorar hinos nem em coreografias.

a.leitão disse...

Numa sociedade Democrática, por definição, há lugar para que todos possam pensar, opinar, reunir, enfim, fazerem parte dessa mesma sociedade o que não é só um direito como também um dever.
O problema é que alguns entendem a Democracia só com palas. Daí a dificuldade em encontrar vias alternativas.
O Estado Novo promoveu uma governação adequada e progressista?
Teve coisas boas e coisas más.
Alguém duvida?
O actual sistema tem proporcionado uma governação adequada e progressista?
Tem coisas boas e coisas más.
Alguém duvida?
Só a estupidez, o ódio e interesses pessoais não permitem uma análise racional e independente, mesmo que relativa.

Pedro disse...

Pois, amigo A.Leitão, ódio, estupidez e interesses pessoais é o que mais há por aí, se bem que em muitos casos creio que a adesão cega a determinados ideais é que acaba por dar origem a sectarismos diversos.