Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

Dia do Trabalhador e os excluídos do mito


A comemoração do Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador, embora legal desde 1974 após a Revolução dos Cravos, continua condicionada e agrilhoada àqueles que fazem dos "direitos do trabalhador" uma profissão. A limitação das comemorações, das reivindicações e de qualquer discussão laboral às áreas reservadas de CGTP e UGT tem impedido o aprofundamento e análise dos problemas relacionados com o Trabalho e o seu alargamento aos trabalhadores que não têm o PRIVILÉGIO de pertencer a um sindicato com poder de paralisação.

O Trabalho era por si só um valor moral no anterior regime e assim deveria continuar. Tornou-se uma coutada de uns tantos sindicatos que aproveitaram o poder de paralisação como trunfo reivindicatório e destituíram de valor e ignoraram outras profissões que sustentam tantas famílias no nosso país, como por exemplo as actividades ligadas ao comércio, aos pequenos empresários, aos trabalhadores da indústria hoteleira e turismo, ao trabalho criativo e intelectual e por aí adiante.


O Dia do Trabalhador pouco diz a estes sectores mencionados, pois na maioria dos casos nesse próprio dia eles têm de estar a trabalhar para providenciar o próprio sustento. E muito menos podem recorrer – nem tampouco equacionar – a esse tal de "direito à greve". Seja em época de crise, ou de semicrise ou de pseudocrise.


Enquanto os Portugueses não se unirem em novas plataformas de luta, seja esta política, associativa, profissional, ou outra, e não puserem em causa a actual ditadura sindical, formatada num bolchevismo apreendido à pressão, o Dia do Trabalhador continuará a pertencer aos privilegiados de Abril. São sempre os mesmos e o ruído que fazem pretende abafar e atirar areia para os olhos de quem nada beneficia com suas insensatas reivindicações. O mundo mudou, eles próprios acabaram por mudar o mundo, no entanto o "Trabalhador" continua a ser a caricatura que se pretende heroicizar em ilustrações provenientes de almanaques e compêndios soviéticos dos anos 20. Assim, na hora de os governos deste "cantão" entrarem em contacto com os supostos "parceiros sociais", são eles a ter papel activo que anula as restantes vozes, que se calaram há décadas ou nunca sequer tiveram oportunidade de falar. Será culpa deles? Não, mais uma vez a culpa é nossa.

Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

António de Oliveira Salazar (28.04.1889-27.07.1970)

Hoje, 28 de Abril, António de Oliveira Salazar faria 121 anos. Há três anos coloquei este post no Café, corria o ano de 2007, no qual havia sido publicado o livro Como levantar um Estado, com base num texto elaborado por Salazar para a Exposição Mundial de Paris, em 1937.
O post continua a ser muito oportuno e os excertos nele contidos, como se de algo intuitivo se tratasse, fazem no momento presente ainda mais sentido do que há três anos. Não sei se felizmente se infelizmente...

Sábado, 24 de Abril de 2010

Não queremos que vos falte nada


Os órgãos oficiais do regime – sejam quais forem, estão tão fétidos como o dito – este ano, por ser pá gente, estão a promover um dois em um. República e democracia, assim tudo juntinho, num coquetel de jana à portuga, com a cereja no topo do... bolo graças ao redondinho arredondado do número cem da famigerada República.
Como aqui no café não queremos que vos falte nada, pois tendes, em conjunto, conseguido as mais variadas e inenarráveis proezas e quase estais a conseguir pôr o país na bancarrota, não obstante termos os gestores públicos mais bem pagos do mundo, aqui vos dedicamos a homenagem que mereceis, a qual estamos convictos que a maioria do vosso amado povo, pelo tanto que lhes tendes roubado... perdão dado e estupidificado... perdão maravilhado com vossas prendas, partilha espontaneamente.

Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Recomendação cafeana

A personalidade carismática de treinadores de futebol que se tornam protagonistas, mais até do que os jogadores, não é de agora e a carreira de Brian Clough mostra semelhanças gritantes com alguém que muito bem conhecemos na actualidade. Eu diria, porém, que Mourinho seria uma soma da paixão e da ânsia de protagonismo de Clough com o rigor profissional quanto ao estudo do adversário de Don Revie - o grande rival de Brian Clough e seu antagonista neste filme.
De resto Damn United, conta a história de modo límpido e engenhoso, sabendo quando recorrer ao flash back e regressar. Ultrapassa a mera biografia e o mero recorte jornalístico, ao evidenciar no enredo as emoções, os desafios e os princípios morais inerentes a uma vida de quem não se ficou nem se rendeu ao mais do que provável destino medíocre de funcionário de um clube de segunda categoria da terra natal.

Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Apanhemo-los agora a jeito


Os oportunistas são um pouco como os abutres, excepto no papel essencial que as ditas aves desempenham na cadeia alimentar e no equilíbrio do ecossistema. O abutre humano não age em prol da sobrevivência, mas sim motivado por uma suposta situação de vantagem em relação a quem vê no chão, atacado por todos.
É curioso que 15 anos após o envio da dita carta, este seja o momento escolhido para as diligências mencionadas. É caso para dizer que a carta, mesmo após enviada, andava esquecida no fundo de uma prateleira qualquer. Ou será por a indemnização almejada só agora, em tempo de crise, é que vem dar jeitinho?

Domingo, 18 de Abril de 2010

Recomendação cafeana


Via Pedras no Sapato, fiquei a conhecer e recomendo Boa Noite, Ó Mestre. Um repositório de textos do escritor António Cagica Rapaz, os quais nos prendem a atenção de modo simples e espontâneo. Infelizmente, o escritor e poeta já não se encontra entre nós, mas os seus textos transmitem-nos uma vitalidade e um ânimo que nos ajuda a manter-nos vivos.

Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

Tema musical da semana

Prenúncios de morte ou de renascimento


A nuvem de cinzas que teve origem na erupção do vulcão da Islândia poderá vir a providenciar aquilo que é tido, tradicionalmente, como fonte de renascimento. Urge, de facto, a Europa e grande parte do mundo renascerem das... cinzas.

Sábado, 10 de Abril de 2010

O acto de dar, para lá da moral do costume

Sou dador de sangue. Nada faço de extraordinário neste acto. Mas é melhor sê-lo do que não o ser, pois nada custa, o tempo que se perde não é significativo e as dádivas podem fazer mesmo muita diferença. As contrapartidas não representam nenhuma vantagem de grande monta nem têm de representar.
Há quem defenda que as dádivas de sangue e de órgãos deviam ser pagas, à semelhança do que acontece em certos estados. Justificam o argumento dizendo que deste modo estas seriam mais frequentes e assim não haveria falta nem de uma coisa nem de outra, uma vez que os dadores teriam o chamariz da compensação financeira. Não me indigna esta tese, mas acho que está errada na sua fundamentação, em especial no que toca ao sangue. O chamariz da compensação financeira é real, mas trata-se de um estímulo que nem sempre gera as mesmas respostas. As pessoas que estivessem em situação de dificuldade financeira, decerto aproveitariam este recurso, ainda que esporádico. Daqui não viria mal ao mundo. Contudo, a situação de tão habitual e óbvia daria origem a um estigma. Quem vai dar sangue está a precisar de dinheiro, ou é pobre ou está teso. É fácil imaginar frases que seriam lugares comuns: "Vais dar sangue. Estás teso?"; "Tornou-se dador, hmmm... anda mal de guito..."; "Ir dar sangue, para quê, já andam lá os pobrezinhos todos a dá-lo." A dádiva perderia a qualidade que lhe é inerente e por si só constitui um estímulo: o de dar. O acto de dar em algumas sociedades e em alguns indivíduos confere determinado estatuto - pelo menos, o de alguém que pode de abdicar de algo em favor do outro, o papel contributivo e voluntário. É certo que se fosse a pagar e quem quisesse dar não ficaria impedido de o fazer. Porém, o acto estaria destituído do seu significado essencial e conotado com outro precisamente inverso. Isto para muitos seria um factor que os demoveria.
A doação, a dádiva, o contributo sem contrapartida constitui uma acção com algum peso na sociedade civil e nos mercados, e com um impacto micro-económico a ter em conta. Tudo isto, independentemente de preceitos morais. O acto em si tem um significado e pode constituir um estímulo. Quando certas ideias ignoram esses significado e estímulo não fazem ideia do efeito contrário que sua concretização poderá ter.

Datas, frases e graçolas reaças

Se dizemos, nas datas respectivas, "25 de Abril sempre", ao passo que a 25 de Dezembro "é quando o Homem quiser", podemos daqui aferir que até o Natal dá mais liberdade do que a propalada Revolução.
Nota: não gosto do Natal e acho piada às revoluções.