segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pérolas abrileiras...

... de elevadíssima sofisticação e esclarecimento político ideológico. Se calhar foi devido à "liberdade"...



Imagem tirada daqui

Nun'Álvares Pereira

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!

Fernando Pessoa, A Mensagem
(uma nota de agradecimento e de consideração ao excelente blog que disponibiliza online esta obra essencial, cuja versão em papel "emprestadei" há algum tempo)

domingo, 26 de abril de 2009

E mais nada...

Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett (p.33) [negritos meus]

— «Parece-me o que é, o que há-de parecer a todo o mundo. E
alguma coisa sabemos, cá no Cartaxo, do que vai por ele. O verdadeiro
Alfageme diz que era um espadeiro ou armeiro, cutileiro ou
coisa que o valha na Ribeira de Santarém; e que foi homem capaz,
e que tinha pelo povo, e que não queria saber de partidos, e que
dizia ele: — «Rei que nos enforque, e papa que nos excomungue,
nunca há-de faltar. Assim, deixar os outros brigar, trabalhemos nós
e ganhemos a nossa vida»1. Mas que estrangeiros que não queria, que
esta terra que era nossa e coa nossa gente se devia de governar. E
mais coisas assim: e que por fim o deram por traidor e lhe tiraram
quanto tinha. — Mas que lhe valeu o Condestável e o não deixou arrasar,
porque era homem de bem e fidalgo e fidalgo às direitas. Pois não
é assim que foi?»
— «É, sim, meu amigo. Mas então daí?»
— «Então daí o que se tira é que quando havia fidalgos como o
santo Condestável também havia Alfagemes como o de Santarém.
E mais nada.»

sábado, 25 de abril de 2009

tá bisto ka kulpa é do kennedy

Um Reagan teria sido muito mais inteligente na persuasão e no tipo de acordo que apresentaria a Salazar para a independência das colónias e uma subsequente transição para uma democracia, no fim da qual seria o homem de Santa Comba visto como um herói e não como um carrasco. Mas não, tivemos o idiota do Kennedy e o seu idealismo bacoco, surdo a culturas e modos de pensar diferentes, a tentar negociar acordos com um homem de uma estatura intelectual e moral às quais ele não estava habituado. Não adianta olhar para trás, mas isso ter-nos-ia livrado da tripa-forra da fase PRECária e da pilantocracia e da pelintocracia hoje reinantes.

Por falar nisso, a avaliar pelo tipo de programas que as TVs nacionais nos brindam à laia de comemoração, eu acho que aquilo foi mais um festival da canção do que uma revolução. Escusava era de ter ficado tão dispendioso...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O sigilo de uma lata Cerelac...

Esta lei da quebra do sigilo bancário, segundo tantas doutas vozes, peca é por tardia. Como tal, aqui o Café sugere à coligação governamental PS-BE um reforço legislativo para apanhar os infractores que fogem aos deveres do Estado: mandados de busca sem justificação necessária às casas dos "ricos ilícitos", seja lá o que isto queira dizer, e anexos para procurar presumíveis riquezas, em dinheiro ou bens, escondidas dentro de colchões, em latas da Cerelac (onde, by the way, cabem em diamantes mais dos 100 mil euros estabelecidos como douto limite a partir do qual os malandros dos ricos ilícitos se tornam como tal), assim como dentro daqueles marotos de porquinhos onde pode ter-se amealhado muita "riqueza ilícita".

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Isto também são posts...

Como os blogues reflectem os períodos de maior ou menor estabilidade emocional e as respectivas circunstâncias geradoras, por vezes dão-se estes vaivéns, interrupções e pretensos gudebais ou até-jás que abonam pouco em favor de quem os assume.
Mais triste é o caso de quem quer escrever e por motivos bem mais graves não pode.
Uma nota de agradecimento à leitora Fani por ter integrado a lista de seguidores, numa fase em que o Café estava com as portas fechadas.
A freguesia vai-se habituando ao que a casa gasta, e a aqui a gerência espera e conta com sua compreensão.
Como um blog também serve para isto, desabafar um pouco, para acumular os contratempos que têm assolado aqui o Café, o meu gato, o Hermes, adoeceu com uma infecção urinária das mais puxadas que o obrigou a ser internado e algaliado no hospital veterinário e pôr o dono em cuidados. São dele os olhos da foto. Para aqueles que não gostam de conversas sobre animais nem tampouco dos ditos, uma vez que não estavam habituados a tal assunto aqui no Café peço-lhes um descontozinho. Para aqueles que nem do Café gostam, não lhes peço nada mas agradeço na mesma a visita.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Querido Café,

Tenho a dizer-te que estou farto disto a que se chama de blogosfera. Desculpa-me este post de desabafo, pois também estou farto de posts de desabafos, meus e de outros.
Cada vez me motiva menos escrever para aqui bojardas, que abrem mais buracos dos que as ideias que apresentam, e cada vez menos assunto encontro que me apeteça abordar.

Estou saturado também de assistir por aí a certos amiguismos sectários e exclusivistas, que resultam muitas vezes na exaltação da vulgaridade e na vaidade vã e oca. Estou farto da exaltação da cegueira ideológica e pseudo-ideológica que por aí pulula em manifestações de hostilidade inconsequente em relação àqueles que são tidos como não pertencentes à "causa" ou excluídos desta. Estou farto de debates, querelas e diatribes plenos de polémica estéril e de pedantismo dos que se julgam senhores da verdade absoluta.
Juntando a isto um período que requer mais dedicação de tempo no plano profissional e pessoal vejo-me obrigado a tomar uma decisão. Peço desculpas a quem tem seguido este blog, mas vou estar uns tempos ausente, seja aqui no Café seja na blogosfera. Pode ser que tome o gosto e por lá fique em terras da "outra margem", pode ser que tenha saudades disto e regresse. Não sei. Agora só penso é em "férias". Um abraço para todos os que têm gostado de ler o que por cá se "posta". Para os outros, desculpem qualquer coisinha, mas como devem saber não existe apenas aquilo que nos agrada.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora...

No Estado Sentido, em post da Sílvia, encontrei algo que tinha perdido de vista há muito, muito tempo. Algo que significava muito para mim, mas pelo visto sempre significou, pois agora ao revisitar permanece uma actualidade espantosa e pouco divergente em relação ao presente, para lá das muitas divergências e incoerências na evolução de meu pensamento.
A minha parte preferida deste poema de José Mário Branco continua a ser esta, que assenta como uma luva, no momento actual e a qualquer momento do que tem sido a história da degenerescência do nosso Portugal.

Sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, desopila o fígado, arreda, T'arrenego Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...
Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe. Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Escrito da bancada dos "nerds"


Sou simpatizante do FC Porto, sim. No entanto, duvido muito que Pinto da Costa seja um mero e puro inocente em muitas das coisas que se passsam no futebol, embora esteja convicto que seus pares dos rivais lisboetas não sejam de todo melhores do que ele. Mas o que importa mais aqui não é isso. Quando a "sociedade civil" e a justiça quiserem mesmo apanhar corruptos:
  • Deixam-se de megaprocessos e respectivos soundbytes nos média e optam por, caso a caso, uma investigação descentralizada e independente.
  • Não se concentram apenas em individualidades odiadas pela maioria e tentarão a imparcialidade clubística, política e regional.
  • Não permitirão o ruído nem as estridências cegas da opinião pública nem da publicada.
  • Preferirão o facto ao mistério e à literatura de cordel e/ou bordel.

Quanto ao resto, vivam os Passarinhos da Ribeira!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Laracha da minha costela anarquista



O martírio heróico não é mais do que um masoquismo típico de uma consciência dorida e mal formada. Venha ele dos manifestantes venha ele da fogueira de vaidades que enfeita aqueles que vivem atormentados em arranjar o governo ideal para o mundo.
O mundo é demasiado louco, sempre o foi, para ter consensos e sistemas abstractos aplicados à sua salvação.
Porque é não vão todos para suas casas, fazer amor com respectivas (os) parceiras (as) ou trabalhar e aprender para melhor se defenderem da propalada crise e deixam o Mundo em paz?