Sábado, 31 de Julho de 2010

Altos pensamentos político-ideológicos II

Estava aqui a magicar e, sinceramente, acho que na deficiência física há muita verdade política. Se a maioria da população fosse surda-muda não haveria o Parlamento e respectivos parasitas e se houvesse percentagem significativa de cegos não se gastava tanto em cartazes e demais poluição visual das campanhas eleitorais.

Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Poema do café matinal

Travessia geral do deserto

Ao longo do meu caminho
com ninguém acamarado.
- Sòzinho vou mais sòzinho...
e mais bem acompanhado.

Rodrigo Emílio

Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

Café concerto

Enquanto não há tempo para mais nada, o café "oferece" um tema muito "seu": Clair de Lune de Claude Debussy, acompanhado do poema que, segundo consta e ao que bem parece, lhe serviu de inspiração.



Votre âme est un paysage choisi
Que vont charmant masques et bergamasques
Jouant du luth et dansant et quasi
Tristes sous leurs déguisements fantasques.

Tout en chantant sur le mode mineur
L'amour vainqueur et la vie opportune
Ils n'ont pas l'air de croire à leur bonheur
Et leur chanson se mêle au clair de lune,

Au calme clair de lune triste et beau,
Qui fait rêver les oiseaux dans les arbres
Et sangloter d'extase les jets d'eau,
Les grands jets d'eau sveltes parmi les marbres.

Paul Verlaine - Clair de Lune

Sábado, 17 de Julho de 2010

Dezassete do sete de setenta e dois

Vir à luz
Tornada carne
Um grito induz
A dor insane
Dos anos mais tarde

Um poema nasce
A ilusão floresce
Tempos vindouros prometem
Aquilo que os homens mentem
Mais a eterna chama, que desvanece...

Nesse dia vim até aqui
Vindo do eterno rio do ser
Para ser aquele que é e permanece
Em metamorfose, até morrer


Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

Equívocos de uma época sem rumo

Porque me irrita a ignorância que está por detrás da comparação do governo de Sócrates com o Estado Novo e Salazar, o seguinte trecho desfaz os mitos de quem fala do que não sabe e faz paralelos entre coisas incomparáveis. Isto para além dos exemplos da política económica do Estado Novo que em nada têm que ver com aquilo que tem sido o (des)rumo da economia política desde Abril. Não é preciso esmiuçar a história contemporânea de Portugal e do Mundo para se concluir que o Estado Novo, não obstante o interesse nacional que era priorizado, nunca impediria negócios de aquisição entre entidades privadas. Aliás não era atreito a "golden shares" de espécie alguma pois detestava confusões e nuances entre aquilo que era coisa pública e a propriedade privada - a qual era muito mais respeitada do que na "disneycracia" actual.

Em nosso pensar economia nacional deve servir a Nação; é o seu fim; é a sua razão de ser. Mas por que meios se garantirá este destino? Os termos «nacional», «nacionalista», «nacionalização» aplicados à economia prestam-se a mal-entendidos, porque em muitas partes se lhes dão significados diversos; mas nós não temos dificuldade em expor claramente o nosso pensamento.
A economia nacional não pressupõe nem exige que o Estado absorva as empresas particulares e dirija os monopólios, mesmo quando a actividade destes é essencialmente um serviço público. O nosso nacionalismo é anti-socialista e desadora o estatismo, pela dupla razão de a experiência portuguesa no-lo haver demonstrado antieconómico e fazermos profissão de fé na iniciativa individual e no valor dos grandes campos de acção privada para defesa da própria liberdade humana.

António de Oliveira Salazar («Os princípios e a obra da Revolução no momento interno e no momento internacional» — Ao microfone da Emissora Nacional, em 27 de Abril — «Discursos», Vol. III, págs. 397-399 e 400-401) – 1943