quinta-feira, 24 de junho de 2010

S. João no Café

S. João no Café da Insónia: levem com os arquivos e não digam que vão daqui
2009
2007

(2008 já não me lembro porquê mas não me lembrei de postar)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Nada mais belo do que a praia à noite

O silêncio da noite esconde o tempo, que impiedoso me espreita anunciando com suas trevas dias que eu não queria para mim. Ameaça-me com aquilo que conheço e desconheço, com o nepotismo do mundo dos homens e a ditadura imprevisível do desconhecido.
O horizonte previsível e o invisível misturam-se em tons cinzentos formando um tapete de fumo que passa sob minhas pernas sem que eu nada possa fazer.
O mundo à minha volta esvai-se no ruído insondável do devir, que não é eterno mas sim de uma finitude iminente e inultrapassável.
O mundo físico está transformado em ruínas e em despedidas sem poesia nem emoção.
O poeta deteve-se na sua gruta, rodeado de memórias, que apenas lhe mostram o peso dos anos, dos meses, dos dias...
O caminho ultrapassou o peregrino, a fé enganou o crente, a promessa nasceu da mentira.
Já nem o eco do grito se faz sentir no coração do guerreiro vencido pela cobardia, rendido que está ao mundo dos sentidos.
Resta a esperança de morrer na praia, com o consolo de não haver nada mais belo do que a praia à noite.

domingo, 20 de junho de 2010

A luta continua?

Num funeral de um escritor marxista-leninista e ateu, brandiu-se "A luta continua!"
Qual luta, pergunto eu? Se for pela implantação do marxismo-leninismo, a luta já foi perdida há muito, se calhar derrotada logo à partida. Se a luta for por uma realidade de ateísmo e capitalismo de estado, ela não precisa de continuar pois seu auge já foi atingido desde o fim da II Guerra Mundial.
Resta saber que luta os saramaguistas reivindicam. Eu tenho cá para mim que nem eles sabem. É gente que joga cravos e palavras ao vento...

sábado, 12 de junho de 2010

O caminho

Os nossos tempos e os de amanhã que está por aí

O encontro do humanismo renascentista com as idéias da decadência filosófica cristã emergirá com toda força e será o pano de fundo das três grandes revoluções: a Reforma religiosa, a Revolução Francesa e a Revolução russa. Voegelin mostrou que o elemento radical do momento revolucionário inicial será seguido de um momento de “restauração”dentro do próprio movimento revolucionário. O que passará a se chamar conservador nada mais é do que esse elemento estabilizador, mas ele próprio é integrante da revolução. [A ortodoxia greco-cristã jamais foi restaurada]. Isso acontece porque não é possível que a dinâmica revolucionária aguda tome todo o tempo histórico, pois o princípio de realidade não pode ser inteiramente negado, sob pena de comprometer a sobrevivência humana.

O conceito de revolução permanente, cunhado por Trotsky, não é outro que não essa dinâmica. Afinal, a revolução se propõe objetivos inalcançáveis e seu sentido é o movimento contínuo, rumo ao nada. O repouso jamais poderá ser alcançado. Mas os momentos de febre precisam ser seguidos de momentos de relativa estabilização, sob pena de a vida prática ficar inviável.

O liberalismo dito clássico, nos momentos subseqüentes ao movimento revolucionário do século XVII, em paradoxo, passou a compor o contrapeso aos delírios revolucionários jacobinos. Voegelin fecha o texto com a seguinte afirmação:

“In the light of these considerations we can say that, on the one hand, liberalism decidedly has a voice in the political situation of our time; on the other hand, however, today the ideas of autonomous, immanent reason and the autonomous subject of economics are scarcely alive and fruitful; thus, the classical liberalism of the secularist and bourgeois-capitalist stamp may be pronounced dead.”

Voegelin foi certeiro no seu diagnóstico. Passadas mais de três décadas dessa constatação podemos dizer que a forma resultante de estabilização do movimento revolucionários na segunda metade do século XX foi o que se chamou de neoliberalismo, essa simbiose entre os frutos da ciência econômica liberal com as crenças coletivistas no plano político. O neoliberalismo virou a plataforma de todas as agremiações políticas no poder, desde o fim da II Grande Guerra. É o que se chama de social-liberalismo ou liberalismo-social. Numa única expressão, social-democracia.

Neoliberalismo é apenas mais uma variação estabilizadora da social-democracia, esta mesma que está a morrer pela crise atual. Vê-se que a variante neoliberal não pode ser mais o elemento racionalizador e estabilizador do exercício do poder real nesse estágio avançado. O modelo esgotou-se, fruto de sua entropia intrínseca. O distributivismo proposto pela social-democracia dependia da contínua expansão da carga tributária e da emissão de moeda, que já bateram seu limite superior. A falência está inteiramente explícita na inviabilidade dos modelos de previdência social e no inchaço incomensurável do funcionalismo público. O mundo ocidental está em um beco sem saída, inclusive nos EUA.

O que virá no lugar? Ninguém sabe. Uma guinada conservadora? Um novo espasmo revolucionário? Seja o que vier não se fará com pouca violência. Os sintomas estão por toda parte, as tensões brotam dia a dia. Os próximos anos serão sombrios.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Tema musical para Dia da Nacionalidade



Dedicado a um poeta que a minha ignorância até ao momento não permitiu conhecer muito bem, mas cuja obra é e será sempre nova, apesar de o homem já ter partido.

Ainda sobre António Couto Viana
Homenagem a António Manuel Couto Viana
Homenagem a António Manuel Couto Viana II
Para a Cristina, uma recordação de Couto Viana
Partiu o nosso poeta

Dia que já foi da Raça, de Camões e da Nacionalidade...

... hoje é um feriado mais para as... comodidades.

Onde resta aconselhar, à semelhança de uma outrora monarquia liberal:

- Foge cão que te dão condecoração!

- Para onde se nem eles sabem por onde vão!

São guiados pela mera cleptocracia, neste arraial

em que se tornou a República centenária,

no cantinho onde reduziram Portugal.

domingo, 6 de junho de 2010

Premências prementes e deprimentes


Não entendo o apoquentamento de muita direita em ter candidato para as eleicinhas presidenciais. As limitadas funções do Presidente da República estão longe de justificar o sufrágio directo universal e devia a direita era trazer de novo a lume a questão do Colégio Eleitoral, em vez de querer estar em todas.
Já a questão da Monarquia, embora não deva ser vista como objectivo a curto prazo, desvia grande parte deste sector político para a respectiva causa.
Enquanto isso, o regime vai-se comprometendo a si próprio, a eterna característica da Esquerda. É apenas aguardar o eterno retorno da História...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Estado da educação ou a educação do Estado



Os ideários contidos na República e na Democracia caracterizam-se pelo optimismo antropológico em relação à Humanidade. Em especial, quando esta está sob os efeitos de um sistema em que a Educação e a Cultura é igual para todos. Neste sentido, na I e III Repúblicas proliferaram ministérios cheios de paixão pela Educação, tida como a panaceia para todos os males e atrasos do País. Abriram-se escolas, universidades, quer nos sectores público quer no privado sem que fossem tidas em conta as características demográficas numa análise a curto, médio ou longo-prazo. Estava mais do que previsto o impacto negativo que iria ter no Ensino e nos seus agentes a diminuição da natalidade e a destruição da instituição família, fenómenos a que não é alheio o ideário democrático progressista.

Pelo meio inventaram-se modelos novos que, de tão maus na sua essência e inconsistentes no seu conteúdo, deram frutos espectaculares logo nos seus inícios. Daí que foram sendo ao longo dos diversos governos substituídos por outros, mas sempre da mesma natureza: o eduquês, o facilitismo, o didactismo, etc.

Os resultados estão aí. A Escola é um espaço moribundo, à beira da falência económica e moral. Podia restar ao aluno com dificuldades em aceder Ensino - o qual outros colegas e compatriotas seus têm quase de borla - a esperança de poder aprender uma profissão que garantisse o seu futuro. Mas até isso lhe é vedado devido à quase inexistência de ensino técnico onde ele é mais preciso.

Já alguém perguntou aos senhores do Governo o que vão fazer agora com a Escolaridade Obrigatória até aos 18 anos?