domingo, 22 de agosto de 2010

Questões do serviço público

Ontem no Plano Inclinado (SIC Notícias, a horas impróprias para horários convencionais) Medina Carreira defendia que os mesmos gestores da EDP e da PT, pagos a peso de ouro, deveriam "ser transferidos" ou "convidados a transferir-se" para as empresas públicas, cujas contas estão em constante prejuízo, tais como a CP, a Carris, STCP, etc. Ao que Vítor Bento retorquiu que para atrair a disponibilidade desses gestores, de uma empresa pública rentável para outra com maus resultados, seria preciso dar-lhes incentivos e remuneração adequadas. Medina Carreira replicou que não há melhor incentivo do que o serviço à Pátria.
A justeza do ideal de Medina Carreira não me levanta qualquer dúvida. Todavia, questiono que gestor público, pago até agora a peso de ouro, seria sensível a tal ideal? Mas que "Pátria" hoje existe que propicie os valores em questão aos recursos humanos existentes? Que milagre fariam os ditos gestores em negócios bem mais complexos e difíceis, aos quais não basta uma cobrança mais avultada ao cliente do preço do serviço em questão?
A questão é perguntar o que é o serviço público. Não será mais lógico concluir que o serviço público faliu? Não será mais lógico concluir que qualquer tipo de serviço é constituído pela empresa e respectivos consumidores? Que o serviço terá de levar sempre em conta, no mínimo, o preço de custo e a respectiva margem de lucro para os accionistas? E os consumidores o que querem é poder escolher aquele que melhor qualidade e preço se apresentar?

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