Após 19 anos daquele funesto mês de Junho, vale a pena constatar as diferenças entre a China de 1989 e a actual.Ao contrário de muitas outras ditaduras que abriram as portas à "liberdade", a China não convocou eleições livres nem deu origem à formação de máquinas político-partidárias. Como tal permanece o conceito de ditadura e, é certo que, ainda não se respira a mesma liberdade do mundo ocidental.
No entanto, ninguém na China de hoje teme nem deseja um outro Tianamen. (Claro que estou a excluir manifestações pelo Tibete e uma ou outra causa folclórica que por mais tempo de antena tenham fora de portas nunca terão a amplitude dos eventos de Junho de 1989.) Porquê? Porque gradualmente os governantes chineses tornaram uma coisa chamada "mercado livre" uma realidade sólida e consistente, onde a liberdade da iniciativa privada é um facto talvez mais concreto do que na nossa querida "democracia".
Ah, continua a ser uma referência para alguns comunistas equivocados (perdoem-me a redundância), mas ninguém nem nada é perfeito...
4 comentários:
Concordo !
Ha mesmo quem diga que a propriedade privada, a liberdade individual, a livre iniciativa empresarial, a liberdade de trabalhar e consumir ... o mercado, no fim de contas, são valores ainda mais importantes do que a propria democracia politica. Neste sentido podemos ter sociedades onde os individuos gozam de uma grande liberdade economica e civil mas com regimes politicos autoritarios e ditatoriais. Por exemplo, nas "velhas" ditaduras de direita, mesmo nas mais repressivas (fascismo italiano, salazarismo, franquismo, o Chile de Pinochet, a Indonésia de Suharto, etc), a generalidade das pessoas tinham muito mais liberdade do que nos "velhos" regimes totalitarios comunistas, mesmo nos menos totalitarios (a Jugoslavia, a Hungria, etc). A China tem hoje uma situação que objectivamente se aproxima muito mais das ditaduras de direita do que dos comunismos. Normalmente, tal como aconteceu com as ditaduras de direita, a crescente liberdade economica e o reforço da sociedade civil na China deverão tornar um dia inevitavel o fim do regime do partido unico e da ditadura. Em contrapartida, a historia mostrou à saciedade que nenhum regime contrario à propriedade privada e ao mercado conseguiu manter por muito tempo as liberdades civis e políticas. Todas as “revoluções” comunistas, por mais “bem intencionadas” que tivessem sido à partida, acabaram sempre e rapidamente em repressão e em ditadura. Por exemplo, o Chile de Salvador Allende caminhava rapidamente nessa direcção quando se deu o violento golpe militar do General Pinochet.
19 anos e depois querem que não estejamos a envelhecer ràpidamente!
No dia em que a ditadura caír, vai ser um "buda nos acuda"...
Abraço
Ana (como passarei a assinar, quando voltar às lides)
"a propriedade privada, a liberdade individual, a livre iniciativa empresarial, a liberdade de trabalhar e consumir ... o mercado, no fim de contas, são valores ainda mais importantes do que a propria democracia politica."
Concordo e acrescento que são o único caminho para a democracia política, pois caso contrário, ou seja democracias originadas por golpes militares (de claras intenções marxistas), acabam sempre na choldra na qual nós estamos...
Sininho
Bem-vinda de volta!
Buda nos acuda e sacuda muita gente... :))
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