Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

Mudar de página

Os dias sucedem-se sem conhecer calendário. Mas o Homem sempre gostou de pôr nome às coisas, neste caso números. 2008, 2009, 2010... Pelo menos, pode ter a oportunidade de mudar a página de um calendário, caso não o faça na sua vida.
Independentemente do tempo que passa, parafraseando Raul Solnado – que o tempo nos levou –, "Façam o favor de serem felizes!"

Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Sobre a Nação e o Nacionalismo

De modo genérico, revejo-me nas permissas do Nacionalismo, enquanto este compreende a Nação como uma entidade moral e intemporal. No seio desta entidade é suposto haver um colectivo com uma identidade própria, a qual é reconhecida e assumida pela maioria dos Portugueses. Revejo-me no Nacionalismo enquanto defesa dessa mesma identidade e dos valores e das instituições que lhes estão subjacentes.

Neste sentido, penso que o nacionalista deve repudiar a ingerência e a adopção de modelos e valores estranhos e estrangeiros – em especial quando estes nada de bom acrescentam e se revelam inadaptáveis à nossa cultura e tradição –, assim como outros que, tidos como valores e premissas nacionalistas vindos de outras paragens, na sua essência e na sua intenção representam a antítese daquilo que podemos definir como Portugalidade - isto é, conjunto de valores, tradições e características étnicas e culturais de Portugal. Neste conjunto de valores, tem sempre de se assumir, independentemente da crença ou descrença de cada um, a matriz cristã, católica que de modo indelével marcou e marca a entidade e a identidade de que aqui se fala.

Existem princípios e objectivos de alguns nacionalismos cujos ecos cá chegam e acriticamente são, muitas vezes, adoptados. Alguns deles representam a mais pura antiportugalidade. É o caso do zelo pela supremacia e pela pureza rácica de uma suposta etnia nacional, que no nosso caso – pelo menos do ponto de vista biológico, genético e antropológico – definitivamente não existe. Já Herculano, seguido de Oliveira Martins e de Orlando Ribeiro desmistificaram fundamentadamente o mito da Lusitânia e dos Lusitanos.

A abordagem dos problemas relacionados com a imigração merecem também uma análise crítica, tendo como ponto de reflexão aquilo de deve ser entendido como espaços e povos lusófonos e os próprios antecedentes históricos da diáspora portuguesa.

Por outro lado, a abordagem das questões relacionadas com a Globalização, seja ela cultural ou económica, estão longe de ser lineares para quem tem preocupações nacionalistas e identitárias. Pois a tradição deve ser estudada de modo a identificar aquilo que de externo ela própria contém. E daí concluir-se que a rejeição liminar e definitiva de tudo quanto vem de fora não apenas é contraproducente como vai contra a tradição nacional em si mesma.

No ponto de vista económico, creio que não é de todo em todo antinacionalista ter a noção dos inconvenientes e dos falhanços dos modelos proteccionistas, em especial os do tipo colbertista, não apenas em Portugal como por esse mundo fora. Contudo, rejeição mais veemente me merece um livre-cambismo desregulado e submetido a interesses estranhos à Nação.

Não creio o que escrevi atrás seja alguma forma de subjectivismo ou de relativismo. Também não é nenhum apelo à moderação e muito menos ao politicamente correcto, conceitos que a mim pouco dizem. Estou convicto de que para se defender Portugal, há que pensá-lo primeiro e conhecer aquilo que ele foi, é e poderá ser. Aquilo que é mito e aquilo que pura e simplesmente permanece. No entanto, estou consciente de que outros nacionalistas e não-nacionalistas podem fazê-lo muito melhor do que eu.

Domingo, 27 de Dezembro de 2009

Tema de contemplação de hoje

POEMA ÍNTIMO

II.– Vivamos en el mundo.
Pero tengamos nuestro mundo aparte
en un rincón del alma.

Un mundo nuestro
donde tus horas y mis horas pasen
íntimamente, luminosamente
sin que nos turbe nadie.

José Antonio Primo de Rivera, 1925

Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

Melancolias pueris

Não há nada mais solitário e melancólico do que a noite de 25 de Dezembro. Para quem a viver como Natal. Recordações de curto prazo ou de véspera. Recordações de longo prazo, de Natais anteriores. De Natais mais felizes para os agora infelizes, de Natais mais infelizes para os agora felizes, ou... menos infelizes. O cheirinho a canela e o travo suavemente salgado do bacalhau, umas luzes tremeluzentes ao som de alguma música de fundo imprecisa e um certo burburinho de crianças resta sempre como algo que ficou gravado na memória deste dia e apenas deste dia. Para mim Natal será sempre noite, sinónimo de consoada, sinónimo de uma estrela que brilha no céu no meio de muitas outras tal como naquele qualquer postal que me corta a respiração por me fazer lembrar sei lá o quê, sinónimo de véspera e expectativa de algo que irá acontecer, ao contrário do dia que é uma pura contemplação do acontecido.

Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Poema

NATAL...

Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
'Stou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

FERNANDO PESSOA
Notícias Ilustrado, 30 de Dezembro de 1928

Nasceu Jesus

Santo Natal para todos!

Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Sábado, 12 de Dezembro de 2009

O Natal de hoje


Não me cabe a mim nem a ninguém fazer julgamentos morais sobre as crenças e descrenças das pessoas. No entanto, não é difícil constatar o facto de que os eventos e festividades com grande impacto social e cultural, tais como Natal, Páscoa, etc. têm uma origem religiosa. Contudo, o seu significado religioso perdeu-se numa massa amorfa, agnóstica e materialista. Daí que a vivência de tais festividades tenha adquirido o carácter dominante da cultura de massas dos dias de hoje: o comércio, o culto da posse dos objectos de desejo temporário e a ostentação de uma imagem de prosperidade e de poder.

Assim, pode ser que o humilde mas politicamente incorrecto presépio dê lugar a frondosas e ecológicas árvores de Natal. Pode ser que deste modo esqueçamos de vez a incómoda origem religiosa e nesse caso, as laicos e as laicas deste mundo não tenham tantos problemas de consciência na hora de gozar o feriado e de receber o subsídio respeitante.

Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Eterno David

Ao longo da História, foram várias as bandeiras de Portugal, assim como os regimes e o tipo de imagem que projectava no mundo. Todavia apenas algo transcendente fez esta nação acreditar no seu nascimento em 1141, na sua Restauração em 1640 e em diversas e sucessivas regenerações, quando tudo parecia estar perdido.
Primeiro de Dezembro sempre!