quarta-feira, 28 de maio de 2008

28 de Maio de 1926

Data na qual se deu o golpe militar que regenerou Portugal da balbúrdia sanguinolenta que foi a I República. Numa altura em que pouca esperança havia para o futuro da soberania de Portugal, país que batia em golpes militares e lutas pelo poder qualquer país latino-americano ou africano e com umas finanças depauperadíssimas, um grupo de pessoas conseguiu regenerar o Estado, em todos os aspectos fundamentais, e o País em geral, conseguindo reerguer o espírito de Nação e o orgulho nacional.
E assim foi durante décadas, até que como tudo nesta vida o espírito do Estado Novo anquilosou...
Mas, é sempre interessante relembrar a força regeneradora exemplificada neste golpe, quando tudo parece longe de qualquer esperança.

Perante a Nação, mal despertada do seu torpor, reanimando-se penosamente de um pessimismo doentio, forçada pelas circunstâncias a defender o seu nome, a sua vida e a sua histórica missão civilizadora, aquele que governa não pode ver interesse nas mudanças superficiais que deixam intacta a causa dos males, mas sim, e unicamente, nas profundas transformações económicas, sociais e políticas que dão origem a novos costumes e a novas concepções de vida social e os garantem.


António de Oliveira Salazar em "Como se Levanta um Estado" (mais informações sobre este livro postadas aqui)

domingo, 25 de maio de 2008

Tema dominical da semana

Meus queridos anos 90
Nirvana The man who sold the world

Portuenses, foram vocês que pediram esta espécie de caixote inútil?


Lamento, estimada Áurea, mas eles "dizem-me" que não. É um caso sério, pois aqui ninguém parece saber de nada embora todos tenham visto o "acidente" - milhões gastos à toa.

sábado, 24 de maio de 2008

Pois...

O projecto da Expo'98 era um projecto que, quanto muito, era estratégico para a cidade de Lisboa. Não era um projecto nacional. O seu impacto estava limitado à cidade de Lisboa ou, na hipótese mais benevolente, à Área Metropolitana deLisboa. Quem vive em Coimbra, no Algarve ou no Norte não ganhou nada com a Expo'98. Limitou-se a contribuir através dos impostos para a realização da obra. Do ponto de vista da cidade de Lisboa, os dinheiros públicos nacio­nais foram muito bem aproveitados. Do ponto de vista do resto do Paísfoi um investimento na cidade mais rica do Pais sem qualquer retorno evidente para o restante território.
João Miranda in "O Diabo", 20 de Maio de 2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Meus queridos anos 90

Versão bugigangas tecnológicas de grande futuro.
Os meus queridos 90's foram pródigos em embriões de dimensões colossais que com o tempo mingaram em tamanho e cresceram em performance - qual era de gigantes...

domingo, 18 de maio de 2008

Tema dominical da semana: Underworld - Born Slippy

Aos meus queridos anos 90.

Porquê proibir o Estado de ter propriedade?

Não obstante não ter grande simpatia por Manuela Ferreira Leite, na entrevista dela ao JN na semana passada manifestou uma ideia com bastante interesse e que vem ao encontro de uma questão que eu já me tinha colocado. Dizia ela que o facto de alguém defender a privatização da Caixa Geral de Depósitos não faz desse alguém um liberal, nem que para ser liberal seria necessário defender tal ideia.
À parte o facto de MFL não ter a autoridade de designar o que é liberal ou não, quando se defende um mercado livre, isento de regulação e artificialismos sociais e económicos, e se pretende impedir uma entidade como o Estado de ter propriedade não é por si só uma forma de regulação? Ainda para mais quando os liberais, e muitos conservadores também, tendem a contrariar a ideia que o Estado "somos todos nós", logo sendo uma entidade com identidade própria, porque não terá o mesmo direito de outras de possuir propriedade, neste caso um banco? E que até dá lucro...
Claro que a partir daqui se pode dar azo à "permissividade" de o Estado poder ter uma companhia aérea, uma televisão, os serviços de saúde, etc.
Não sabendo eu onde está a fronteira nem se ela existe a demarcar onde devem acabar o suposto direito de propriedade do Estado e a sua concessão de serviços, inclino-me mais para a ideia de esta se situar quando tais serviços ou empresas dão prejuízo, problemas de vária ordem e não lucro, e quando não está em causa a soberania nacional.

terça-feira, 13 de maio de 2008

O mundo, modelo de perfeição, segundo Dias da Cunha

A presença de Dias da Cunha no Prós e Contras de hoje teve a nobre função de representar a ideia-chave-mestra que ainda resta da mentalidade portuguesa de outrora: tudo tem de ser resolvido e regulado pelo Estado.
O Estado, essa entidade supra-humana, infalível, que existe para lá do Homem e da Sociedade.

  • Se o árbitros arbitram mal (leia-se: "gamam o meu Sporting") chame-se o Estado para regular e regulamentar a situação.
  • Se os clubes entram em crise, pois que vá o Estado ver o que se passa. Se calhar estão a gerir mal o clube. E aí entra o papá-Estado para ajudar a gerir bem.
  • Há jogadores com salários em atraso e outros a ganharem muito. Como permitiu o papá-Estado uma injustiça destas?? Crie-se já um tecto salarial, o qual não se possa ultrapassar, nem que se percam jogadores. O que é importante é a igualdade salarial.
  • Assim atingir-se-á a excelência desportiva, estando implícito o desporto sem a competitividade nefasta do capitalismo!

sábado, 10 de maio de 2008

E Deus continua a criar a mulher - Margarita Levieva

À atenção do blog do colírio.

Querem pontos, ide à Liga

Gostaria que a punição dada ao FCP fosse não de seis mas sim de 10 pontos, descontados já para a próxima época. Isto como simpatizante do FCP, pois se fosse adepto não pediria 10 mas sim 15 ou 20. Para além disso, zelava para que fosse aprovada uma moção de modo a que Luís Filipe Vieira e Soares Franco fossem nomeados presidentes do Conselho de Arbitragem (sem que precisassem da, por vezes inconveniente, intermediação de Vítor Pereira).

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Santana...

Por muito que questionemos a oportunidade da candidatura de Pedro Santana Lopes - em especial após a imagem negativa do seu afastamento do governo, via dissolução da assembleia da República, ainda bem fresca na memória dos Portugueses -, por muito que questionemos se ele está preparado para reassumir o cargo de maior responsabilidade para o País depois de ter sido, ainda que com fundamentos duvidosos, destituído desse mesmo cargo…

O seu discurso de apresentação de candidatura, no meu entender, é muito bom e foca os aspectos que um governo (obviamente de direita, ou pelo menos da não-esquerda) deve ter em mente. Aliás é inovador quanto à abordagem directa e simples de muitos problemas, nomeadamente a dependência do Estado por parte da população portuguesa em geral e o handicap corporativista que ainda se mantém na nossa mentalidade.

Em suma foi um discurso virado para os Portugueses e não para o “aparelho” ou barões” ou bases”, seja lá o que isto queira dizer. E neste aspecto marcou pontos em relação aos outros candidatos. Pois será em alguém que defina campos de acção e medidas concretas tal como PSL hoje esboçou (e a mais não era obrigado) que o voto da direita e da não-esquerda se centrará.

domingo, 4 de maio de 2008

Confessionário blógico

Laodiceia - "Escreve ao Anjo da Igreja de Laodiceia. Assim diz o Ámen, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus: Conheço a tua conduta: não és frio nem quente. Quem dera que fosses frio ou quente! Porque és morno, nem frio nem quente, estou a vomitar-te da minha boca."
Bíblia Sagrada, Livro do Apocalipse (14-17)

Sempre desprezei os mornos. Sempre desprezei os ditos moderados, meias tintas, equilibrados, os supostos "sensaaaatos". Isto não implica que partilhe os ideais dos extremistas, nos quais teria de me abstrair da minha constante curiosidade, de perguntar porquê a tudo, para evitar sarilhos. E eu gosto de questionar tudo e todos inclusive a mim próprio. Por isso nunca me daria bem com quem vê o mundo numa gradação de tons do preto para o branco.
Isto não implica que muitos que sintam - e consequentemente pensem - do mesmo modo que eu não possam defender com um comportamento e um fervor radical alguns ideais tidos como... moderados. Francisco Sousa Tavares é dos que mais facilmente me vêm à memória. Não por estar em sintonia com ele. Antes pelo contrário. Precisamente por ele defender e assumir uma postura, por vezes violenta, tantas ideias nas quais tantos songos-mongos hoje em dia se acomodam.
Jorge Coelho a defender o Marxismo-Leninismo ou o Nacional-Socialismo levaria uma multidão ao bocejo e ao tédio total, levando à rejeição completa destas ideologias extremas, ao passo que Sousa Tavares levaria a um entusiasmo completo pela social-democracia de Sócrates ou de Ferreira Leite, ou pela Terceira Via, que nunca entusiasmaram ninguém, apesar de alguns relativos sucessos eleitorais... Não está aqui em causa o saber conduzir as massas ou qualquer forma de marketing político ou ainda o "poder de comunicação", estamos a abordar o fervor e a paixão com que muitos vivem as ideias, que podem ou não contagiar os outros. (Isto pode ser confundido erradamente com o caminho fácil da emotividade primária: Lenine e Hitler não tiveram grande dificuldade em comunicar o ódio a determinados sectores da população entre os quais viviam, auxiliados - estes sim - por alguns dotes de oratória e muita raiva à mistura).
Qualquer raciocínio, afirmação ou postulado pode perder qualidade quanto mais assertivo, dogmático e definitivo se torna, pois maior será a derrocada quando sujeita ao contraditório. Provindo este do evoluir da ciência ou de qualquer manifestação do pensamento. Contudo, quanto mais complexa se torna uma determinada ideia, no que toca à exaustão de sua forma e conteúdo, ou seja quanto maior for a relatividade de seu postulado e mais permissiva se tornar a dúvidas e variantes condicionais, menos apelativa se torna, senão em parte ou na totalidade, a um pensamento em turbilhão, sempre em busca de se afirmar perante si próprio e os outros, e que por vezes se exprime e actua mais com o coração e a alma do que com a mente.
Seja como for, em busca de factos e de mistérios vamos percorrendo o caminho para uma saída deste labirinto de gritos, pesadelos, delírios e pior de tudo... a realidade. Seja esta qual for...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Esperança vinda das "sombras"


Não há mal nenhum em acreditar em algo novo para uma nova liderança à direita. O que implica dizer, pelo menos a curto prazo, uma nova oposição à direita.
Das "sombras" do aparelho e da estrutura interna de um partido, aparentemente vazia de ideologia e de uma ética política pouco recomendável, surgir alguém que dê um rumo diferente para a Direita Portuguesa seria uma ironia do destino que apenas beneficiaria a democracia e seria um facto que calaria muitos argumentos dos detractores do sistema multipartidário.
Que importância isto tem? Muita. Provavelmente, para a própria democracia e sua sobrevivência.
Será Pedro Passos Coelho esse líder? Se calhar não é. Mas é o único que se afigura como uma hipótese de o ser. Hipótese única no meio de propostas patéticas e outras que chovem no molhado em relação à política do governo actual, por entre a pose grotesca de "sacrificados pelo partido" seja lá isso o que quer dizer - como se tal tivesse algum interesse para os portugueses em geral...
Espero que vá adiante a única chance de surgir algo diferente. Mesmo que esta venha das alegadas e denegridas "sombras"...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Ignorância leva ao fanatismo, inclusive entre supostos ateus

Está em vias de se constituir a Associação Ateísta Portuguesa. Será que agora os defensores da "sociedade civil" subsídio-dependente vão aceitar que a futura Associação também mame da teta estatal ou será que a distribuição de dinheiro de impostos alheios com vista à propaganda ideológica é um couto abraâmico?

Este comentário é típico de falta de conhecimento filosófico e epistemológico que abunda por aí. Ateísmo significa "sem religião" - no sentido revelado deste conceito - e não a negação da religião e da espiritualidade como forma de afirmação filosófica ou cognosciente. Para explicar melhor, implica "eu não tomo parte, não escolho, porque não acredito ou porque aquilo que escolhi é diferente". Não pressupõe uma posição definida no contexto das religiões. Por isso nunca poderia ser entendido em igualdade de circunstâncias com as religiões.

Aqui, site que explica e defende a posição do Ateísmo, dá o esclarecimento essencial para tanto mal-entendido e dogmatismo que se vê por aí.