domingo, 4 de maio de 2008

Confessionário blógico

Laodiceia - "Escreve ao Anjo da Igreja de Laodiceia. Assim diz o Ámen, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus: Conheço a tua conduta: não és frio nem quente. Quem dera que fosses frio ou quente! Porque és morno, nem frio nem quente, estou a vomitar-te da minha boca."
Bíblia Sagrada, Livro do Apocalipse (14-17)

Sempre desprezei os mornos. Sempre desprezei os ditos moderados, meias tintas, equilibrados, os supostos "sensaaaatos". Isto não implica que partilhe os ideais dos extremistas, nos quais teria de me abstrair da minha constante curiosidade, de perguntar porquê a tudo, para evitar sarilhos. E eu gosto de questionar tudo e todos inclusive a mim próprio. Por isso nunca me daria bem com quem vê o mundo numa gradação de tons do preto para o branco.
Isto não implica que muitos que sintam - e consequentemente pensem - do mesmo modo que eu não possam defender com um comportamento e um fervor radical alguns ideais tidos como... moderados. Francisco Sousa Tavares é dos que mais facilmente me vêm à memória. Não por estar em sintonia com ele. Antes pelo contrário. Precisamente por ele defender e assumir uma postura, por vezes violenta, tantas ideias nas quais tantos songos-mongos hoje em dia se acomodam.
Jorge Coelho a defender o Marxismo-Leninismo ou o Nacional-Socialismo levaria uma multidão ao bocejo e ao tédio total, levando à rejeição completa destas ideologias extremas, ao passo que Sousa Tavares levaria a um entusiasmo completo pela social-democracia de Sócrates ou de Ferreira Leite, ou pela Terceira Via, que nunca entusiasmaram ninguém, apesar de alguns relativos sucessos eleitorais... Não está aqui em causa o saber conduzir as massas ou qualquer forma de marketing político ou ainda o "poder de comunicação", estamos a abordar o fervor e a paixão com que muitos vivem as ideias, que podem ou não contagiar os outros. (Isto pode ser confundido erradamente com o caminho fácil da emotividade primária: Lenine e Hitler não tiveram grande dificuldade em comunicar o ódio a determinados sectores da população entre os quais viviam, auxiliados - estes sim - por alguns dotes de oratória e muita raiva à mistura).
Qualquer raciocínio, afirmação ou postulado pode perder qualidade quanto mais assertivo, dogmático e definitivo se torna, pois maior será a derrocada quando sujeita ao contraditório. Provindo este do evoluir da ciência ou de qualquer manifestação do pensamento. Contudo, quanto mais complexa se torna uma determinada ideia, no que toca à exaustão de sua forma e conteúdo, ou seja quanto maior for a relatividade de seu postulado e mais permissiva se tornar a dúvidas e variantes condicionais, menos apelativa se torna, senão em parte ou na totalidade, a um pensamento em turbilhão, sempre em busca de se afirmar perante si próprio e os outros, e que por vezes se exprime e actua mais com o coração e a alma do que com a mente.
Seja como for, em busca de factos e de mistérios vamos percorrendo o caminho para uma saída deste labirinto de gritos, pesadelos, delírios e pior de tudo... a realidade. Seja esta qual for...

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