domingo, 25 de novembro de 2007

Impostos municipais

Via Nortadas, texto de José Gagliardini Graça
Num momento em que o cenário económico-social é de um pessimismo pouco propício a mudança de políticas, cujo orçamento de Estado é aldrabado com artimanhas - como a exclusão das Estradas de Portugal - com uma lei de Finanças Locais de um aperto rigorosíssimo, há uma câmara que decide baixar os seus impostos municipais. De acordo que muitas não podem sequer pensar em se dar a esse luxo, muito devido a gastos megalómanos no seu passado, mas questiono quantos mais terão na sua cabecinha que sem baixa de impostos não é possível a prosperidade e competitividade económica. Seja num município ou num país.

E porque hoje é 25 de Novembro...

Recordemos com este "tesourinho" essa fase prolífica da nossa pátria!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Tributo

Agradeço ao André Azevedo Alves o post que elaborou em resposta a um comentário meu a propósito da situação actual que se vive na África do Sul, a qual, de modo generalizado, tem vindo a deteriorar-se nos últimos 15 anos, sob o poder do ANC. Destaco também, embora já noutra esfera, a interessantíssima palestra de Andrew Mwenda, o qual expõe aquilo que vimos há algum ou bastante tempo a defender: a solução para os problemas africanos não passa pela injecção contínua de ajuda monetária.

Voltando para a África do Sul, este texto do seu presidente Thabo Mbeki no ANC Today, tal como outros que lá estão da sua autoria, ilustra bem a linha ideológica dele próprio e do ANC, acabando por de certo modo nos elucidar acerca das razões da actual situação daquela que (ainda) é uma potência africana e mundial.

Mais do tio Rudy

Discorrendo sobre os poderes federais e constitucionais, o tio Rudy terá talvez mais a ensinar aos senhores de Bruxelas do que aos democratas dos EUA. A complexidade inerente à objectividade e simplicidade da aplicação de uma constituição simples e plena de liberdade é algo que muito dificilmente será assimilado e acatado pelos eurocratas, burocratas que tentam escapar a um referendo elaborando páginas e páginas de palha e imbecilidades burocráticas de bulor.
NOTA: Mensagem principal segue-se ao "spot" oficial da campanha.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Os "diabos" d'hoje...


Embora não seja um admirador desta linha editorial, repugna-me a indiferença - a deste blogue incluída... - com que foi recebida a morte de João Coito - director d'O Diabo desde que Vera Lagoa nos deixou - ocorrida há cerca de um mês e meio. Lia quase assiduamente sua página a qual, embora discordasse da maioria das ideias descritas, era uma lufada de ar fresco por destoar desta "ditadura" mainstream que impera na imprensa semanal portuguesa, para não falar na outra...
Deste modo, a nossa imprensa de opinião continua escrava de fretes vários, e sujeita a uma linha única, tipo "mainline", definida pelo politicamente correcto, que coarcta toda a criatividade própria do desalinhamento e nos bombardeia de modo constante com os seus preconceitos, vícios de pensamento fácil e compromissos do costume. Um nojo, em síntese.
Por isto torço para o esforço heróico de José Esteves Pinto, actual director interino deste periódico "mafarrico", seja compensado com a sua sobrevivência num panorama cada vez mais adverso. O que será como é óbvio muito difícil.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

sábado, 17 de novembro de 2007

Géneros literários e os velhos tabus do "politicamente correcto"


Após cerca de um mês da publicação deste livro, a "crítica" acordou para os lugares comuns do costume. Não haja dúvida que o género das memórias e da biografia estão ainda muito por explorar em Portugal, dados os tabus e preconceitos que tantos personagens da nossa história ainda excitam em mentes politicamente correctas e alinhadas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Portugal eterno...

Foi há 12 anos mas podia ter sido ontem e poderá ser tal e qual em 2009. Porque não ficamos surpreendidos?

domingo, 11 de novembro de 2007

Bom domingo!

Morrissey - Everyday Is Like Sunday (Live)

D.Juan Carlos pouco amigo dos animais?

Aposto que há muita gente desapontada com o rei D. Juan Carlos, pela sua aparente falta de complacência para com um exemplar dos nossos amiguinhos com os quais compartilhamos um antepassado comum (segundo a teoria evolucionista, claro está). Mas, nada de conclusões nem juízos precipitados, pois mesmo esses nossos amiguinhos têm de ser ensinados e educados. Por vezes até mesmo de levar uma sapatada - os meus gatos que o digam... Por isso, estou certo de que, por trás da aparente severidade do monarca espanhol, está "Um amigo dos animais". E nem mais!

À atenção do Zoo da Maia

Há certas espécies de símios, cuja acessibilidade do preço e vulgaridade do exemplar em causa, justificam que o seu destino sejam os Jardins Zoológicos mais humildes. Neste caso o da Maia merece prioridade ao de Lisboa.
Para isso o nosso querido Zoo da Maia precisa mesmo assim de sua ajuda para a aquisição e transporte da espécie em questão, para não falar da respectiva domesticação que será a parte mais difícil...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Lições de democracia dadas por quem??

Salazar é uma figura incontornável da História do nosso país. E nem o PCP nem a URAP me dão lições de democracia.

João Lourenço, presidente da Câmara de Santa Comba Dão

Nem o próprio Salazar teria lições de democracia a receber de tal trupe, Sr. João.
Se 16 mil paspalhos assinaram uma petição de meia dúzia de paspalhos, pode o sr. João reunir o dobro apenas nas suas redondezas, sem precisar de ir muito longe. As regras da propalada "Democracia" deles jogam contra eles até em concursos de TV. Por isso lhes mete medo o estudo isento da história e manifestações populares espontâneas que eles qualificam de "romarias". O "Povo", aqueles que eles dizem que é quem mais ordena, nunca esteve do lado deles.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Quimeras ideológicas donde menos se esperaria

Parece numa primeira análise incompreensível como tanta gente que reclama suas origens políticas numa matiz conservadora e/ou liberal clássica possa com todo o entusiasmo embandeirar em arco o termo Revolução como palavra de ordem em defesa de candidato a candidato a eleições nos EUA.
O conceito em si é a antítese do núcleo ideológico de um liberal ou de um conservador, o qual com firmeza defende a ordem pública, sendo as filosofias abstractas impostas através de uma transformação brusca e radical da sociedade e das instituições uma aberração própria dos progressistas e uma imposição inaceitável e contranatura aos direitos do Indivíduo.
Remember, remember the 5th of November i.e. remember the day a cheater stole your money. Não haja dúvida que a ficção encaixa na perfeição em outra ficção.

Recomendamos hoje

Rui Albuquerque no Portugal Contemporâneo, acerca dos vendilhões, curandeiros da actualidade: os ateístas militantes, no seu esplendor de intolerância, manipulação da ciência e incómodo com as diferenças:Dawkins: Uma ilusão.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Regresso da Esquina

Temos de volta, felizmente, a Esquina do Porto após um período de hibernação. Faz falta, quanto mais não seja, pelo seu espírito crítico e acutilante. Diga-se de passagem que eu não concordo com tudo o que se diz por lá, mas isso até é bom.

sábado, 3 de novembro de 2007

Frades, barões e bipolarizações atávicas II

Por sua vez, o Catolicismo, como força mais significativa que é dentro do Cristianismo, desde cedo se hierarquizou e deste modo caiu nas malhas do secularismo. A sua espiritualidade ia sendo delegada em grupos muito específicos, as ordens monásticas, que gradualmente se hierarquizavam e subsequentemente se secularizavam num mimetismo inevitável em relação às hierarquias superiores e a toda a sociedade na qual estavam inseridos. É inegável que desde cedo a Igreja se politizou e se deixou muitas vezes "prostituir" face ao nepotismo dos príncipes e poderosos. Por este motivo, é erróneo falar em guerras religiosas pois elas na verdade não passavam de guerras políticas.
Contudo, a grandeza de uma instituição como esta dá lugar invitavelmente a uma maior heterogeneidade do que em instituições circunscritas a minorias, a ideologias estreitas e a grupos fechados. É essa heterogeneidade que abre brechas, no meio da corrupção e da ambição prosaica, à existência de exemplos notáveis, na quantidade e qualidade, que ainda hoje são referências intelectuais e guias espirituais para homens e mulheresde todos os níveis culturais e sociais, raças, cores e nacionalidades.
Por estes motivos, eu estou convicto de que a Igreja Católica é a única instituição e força religiosa à qual vale a pena aderir, apesar de todos os seus defeitos e crimes históricos.
Quanto mais não seja pela sua amplitude em todos os quadrantes, em especial o da antiguidade e consequente referencial de boas e más experiências, ela é a que entende melhor a necessidade de o Homem ser livre e íntegro. Por isso, se no futuro assistirmos nós ou os vindouros a um renascimento espiritual, como creio que vamos assistir, será o Catolicismo e sua mundividência ecuménica que irá ter o papel essencial, mesmo absorvendo e sendo absorvida em outras referências culturais e espirituais, como sempre o sincretismo religioso de alguns locais o exemplificou. Porque o homem é eminentemente um ser espiritual, para lá de todas as "desilusões de Deus" e de biólogos com problemas existenciais que em vão tentam provar o contrário.
Por tudo isto, creio também que não é difícil concluir que que todo o fenómeno religioso, que é dizer a Igreja, deve ter uma existência independente dos poderes seculares, pois de contrário é ela que fica a perder - por um lado corrompida pelo poder vigente, por outro tida como bode expiatório de todos os males.

Frades, barões e bipolarizações atávicas

Desgosta-me sobremaneira viver num país com a lógica de divisão política e ideológica do nosso. De um modo geral, o Sul católico da Europa, em especial a Península com suas guerras fratricidas entre a autoridade estatal e religiosa e os "do contra", ainda vive mergulhado nas dicotomias catolicismo-jacobinismo, tradição-progressismo, conservadores sociais-liberais sociais. Claro que isto adultera e deturpa conceitos políticos e ideológicos que vêm do exterior, os quais chegam aqui com um siginificado bem distante daquele em que é metamorfoseado. Basta ver os exemplos dos conceitos de "conservador" e de "liberal", os quais pouco se assemelham com os seus equivalentes das paragens mais a norte da Europa e do mundo anglo-saxónico.
O estatismo predominante na nossa política e mentalidades é fruto precisamente de uma coligação involuntária entre o conservadorismo social e corporativista, já de outrora, e o estatismo intrínseco da esquerda.
Tudo isto se reflecte obviamente na política partidária e na de governação, estando nós condenados a um bipolarismo bafiento, imobilizado e corrupto.
Quarenta anos de ditadura de espírito corporativista e socialmente complacente, por sua vez, também enraizaram hábitos e ideias e reacenderam o ódio de um núcleo coeso, que perdura até aos tempos actuais, de um progressismo sempre de mãos dadas com um anticlericalismo visceral. Núcleo este que havia tido alguns apogeus, quais fogos fátuos, na época de novecentos e suas revoluções liberais e uma experiência miserável na I República. Quando alguma oportunidade durante estes últimos séculos lhes foi dada, nunca trouxeram nada de bom, e nunca a liberdade com eles saiu mais beneficiada.
Garrett cedo o constatou:
Mas o frade não nos compreendeu a
nós, por isso morreu, e nós não compreendemos o frade, por isso fizemos os barões de que havemos de morrer.
São a moléstia deste século; são eles,
não os jesuítas, a cólera- morbo da sociedade actual, os barões.
(...)
Ora o frade foi quem errou primeiro em nos não compreender, a
nós, ao nosso século, às nossas inspirações e aspirações: com o que falsificou a sua posição, isolou-se da vida social, fez da sua morte
uma necessidade, uma coisa infalível e sem remédio. Assustou-se
com a liberdade que era sua amiga, mas que o havia de reformar, e uniu-se ao despotismo que o não amava senão relaxado e vicioso, porque de outro modo lhe não servia nem o servia.
Nós também errámos em não entender o desculpável erro do
frade, em lhe não dar outra direcção social, e evitar assim os
barões, que é muito mais daninho bicho e mais roedor.
Porque, desenganem-se, o mundo sempre assim foi
e há-de ser.
Por mais belas teorias que se façam, por mais perfeitas
constituições com que se comece, o status in statu forma-se logo: ou com frades ou com barões ou com pedreiros-livres se vai pouco a pouco organizando uma influência distinta, quando não contrária, às influências manifestas e aparentes do grande corpo social. Esta é a oposição natural do Progresso, o qual tem a sua oposição como todas as coisas sublunares e superlunares; esta corrige saudavelmente, às vezes, e modera sua velocidade, outras a empece com demasia e abuso: mas, enfim, é uma necessidade.
Ora eu, que sou ministerial do Progresso, antes queria a oposição
dos frades que a dos barões. O caso estava em a saber conter e
aproveitar.
O Pr
ogresso e a Liberdade perdeu, não ganhou
Almeida Garett, Viagens na Minha Terra
Não será difícil constatar que o problema nasce quando o "frade" quis ser poder e ser instrumentalizado por esse mesmo poder. Foi ele quem mais saiu prejudicado e todos aqueles que dele precisavam, fosse nas escolas, nas benfeitorias ou mesmo... na Igreja.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Recordar Hermínia

Teria feito no passado dia 23 de Outubro 100 anos. No tempo em que eu resistia ao fado, naquela idade em que poucas nuances são permitidas aos gostos musicais e tudo quanto é do gosto dos avós não presta, o fado desta mulher fazia calar-me as bocas revolucionárias (ou seriam reaccionárias?). Mais do que a Amália e do que outros "indiscutíveis".