quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Milagres?

In Diário Digital
Ricardo Sá Fernandes pediu 0,5 M€ para campanha BE, diz Bragaparques

O gerente da Bragaparques vai sustentar no pedido de instrução da alegada tentativa de corrupção do vereador da autarquia lisboeta José Sá Fernandes, que o irmão do autarca lhe pediu 500 mil euros para financiar a campanha autárquica de 2005.
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Nesta vida não há milagres, logo as máscaras caem mesmo às portas do Carnaval. A constante campanha eleitoral que o BE ao longo de anos e anos nos tem imposto nos media, mesmo fora de época de eleições, a persistente presença da verborreia velha e relha que nos entra em casa sem pedir licença tinha de ter motivo, pois milagres e coincidências é algo que não existe. MAs isto é apenas uma parte da história, pois 500 M€ não chegam para tudo o que se vê. É tudo uma questão de tempo e de mais "bragaparques" e quejandos...

domingo, 28 de janeiro de 2007

Qual oposição?

Em Montemor-o-Velho
Marques Mendes acusa Governo de Sócrates de só fazer promessas
Num almoço com militantes e simpatizantes, onde presidiu à posse da nova Comissão Política Concelhia, o líder do Partido Social Democrata (PSD) acusou o governo do PS de piorar o estado da Economia e agravar as desigualdades sociais em Portugal, nomeadamente na saúde, avançou a agência Lusa.
«Ao fim de dois anos de governação, o que nós vemos são anúncios e promessas, o que falta são os resultados. Os impostos não param de aumentar, o desemprego agrava-se, não há oportunidade para jovens, a saúde está mais cara, mais difícil e mais distante e a classe média asfixiada", frisou.


Não tenho interesse nenhum em tomar as dores do governo. Antes pelo contrário, pois não sou socialista. Já julguei há uns anos estar próximo de o ser, tem piada, mas não há nada como provar de um veneno para que este sirva de antídoto ou vacina contra o mesmo. No entanto, não deixo de ficar saturado e desgostado com a política e o paleio vindos do principal partido da oposição. Marques Mendes não tem causas nem críticas concretas a apontar ao governo. E podia tê-las se fosse mais objectivo e inteligente. Marques Mendes é apenas do PSD e apenas sabe fazer política anti-PS. Ele não é social-democrata nem democrata-cristão nem liberal nem coisíssima nenhuma. Na cabecinha pequena de Marques Mendes paira apenas o pensamento: "Sou do PSD. E líder. Logo há que cascar no governo PS seja de que maneira for." Mesmo, usando argumentos típicos da esquerda, como "o agravar das desigualdades, principalmente na saúde".


Para além de ter memória muito curta, Marques Mendes utiliza mal a informação que tem e vem com o estafado argumento do desemprego, que para além de não se ter agravado, a informação disponível acerca deste muitas vezes leva a conclusões erróneas, dados os inúmeros casos fraudulentos que lentamente vêm sendo descobertos.


Marques Mendes não tem causas concretas que um líder de um partido com uma tradição liberal deveria ter: não ataca a crescente e vergonhosa carga fiscal que o Governo vem impondo, a perseguição fiscal injusta aos profissionais liberais, os projectos megalómanos como a OTA e o TGV que não saem do papel mas sim do nosso bolso; e continuamos com linhas férreas de tempos de antanho, com a insuficiência das reformas na administração pública e na saúde; com o crescimento e a manutenção de institutos públicos que não servem para nada. Enfim, tanta coisa mais que este presente texto omite...


Mas num país que a agenda política é como que delineada pelo Bloco de Esquerda, que inclusive leva a reboque os outros mais toda a imprensa, nada é de surpreender muito. E quando o único partido que faz uma oposição construtiva e tem uma intervenção parlamentar jovial e inteligente, como é o caso do CDS-PP, atravessa quezílias internas incompreensíveis ainda pior. Já agora, mando o meu bitaite: António Pires de Lima é o líder de que o centro e a direita precisam. Mas ou ele anda distraído, ou todo o partido anda distraído nas guerrinhas actuais, ou será tudo apenas uma questão de tempo. É natural que a minha opinião pareça ridícula, mas o tempo às vezes cisma em, a médio prazo, dar-me razão...

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Tendências pugressistaje n'O Insurgente

De Adolfo Mesquita Nunes (leitura recomendada, em especial, para aqueles que se barricam em sectores políticos para defender posições sobre o referendo)
Num post abaixo, o André Azevedo Alves considera que a pergunta do referendo é uma “armadilha para a liberalização total do aborto”. Idêntica opinião tem sido por diversas vezes utilizada por apoiantes do “não”, inclusivamente tal facto tem sido muitas vezes elevado a causa determinante do voto “não”.
Gostava de reflectir um pouco sobre esse assunto, o que aliás serve para demonstrar que, à direita, a convivência de opiniões diversas vai muito bem, obrigado.
Embora perceba o sentido, não posso concordar com a ideia de que do “sim” ao referendo possa resultar uma liberalização do abortamento. O facto de uma mulher poder abortar num estabelecimento de saúde autorizado não significa que o abortamento seja liberalizado.
Para que assim fosse, o vão de escada teria de ser permitido, e não é. Para que assim fosse, não poderia limitar-se a sua prática a estabelecimentos autorizados pelo Estado. Para que assim fosse, o abortamento estaria na plena e total disposição de duas pessoas, a mulher e o agente provocador do abortamento, e não está. Para que assim fosse, teríamos de dizer que toda a economia nacional estava totalmente liberalizada…
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Diz a TV que o PGR vai receber a Ana Gomes. Não admira, se tomarmos em conta que a PGR- adjunta recebe a Carolina Salgado.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

In SIC online
Presidente de Israel formalmente acusado
Moshe Katsav enfrenta acusação de violação e assédio sexual


Onde poderia desenvolver-se semelhante processo - uma das autoridades máximas de um país ser acusada abertamente e formalmente seja do que for - senão numa ditadura? Os vizinhos árabes devem estar chocados com semelhante atrocidade! Lá tal coisa seria impossível de ocorrer, nem "assédio sexual" deve fazer parte de seu vocabulário. (digo apenas do vocabulário...).
Já agora no meio de tanto assédio e tanto processo e ataque ao poder executivo ninguém se lembra, em Israel, de falar no famigerado "apartheid"? Sugiro que se envie para lá a dra. Ana Gomes, acompanhada de seus parceiros do BE e do PC, para averiguar a situação. Pode ser que seus camaradas do Hamas e/ou das Fatah precisem de mais homens/mulheres-bomba...
Curiosidade sobre um texto
Para satisfazer a curiosidade de quem eventualmente não o saiba, o texto transcrito em alguns excertos no post anterior é o intitulado Testamento Político de D. Luís da Cunha, escrito no século XVIII (terá sido redigido em 1743, segundo os investigadores e circulado nessa altura em cópias manuscritas) como documento pessoal tendo como futuro destinatário o, então, príncipe D.José, futuro rei D.José I.
Os trechos que escolhi parecem, de modo surpreendente e em simultâneo entristecedor, referentes aos dias de hoje. Passe o anacronismo inerente à diferença entre duas épocas com mais de duzentos anos de distância.
Poderia e pode também haver alguma afinidade ideológica da minha parte em relação a este texto, uma vez que tem sido considerado como o precursor do Liberalismo em Portugal, por muitos respeitáveis historiadores e políticos. Sem dúvida que há aspectos respeitantes à política, sociedade e economia que criam fundamentos ideológicos para o futuro, mas o mais interessante neste texto é a sua mundividência, bem visível nas considerações sobre os cristãos-novos, a inquisição e aspectos de geo-estratégia, não obstante outros que não escapam à sua datação.
Pode ler o texto na íntegra e mais considerações, mais bem avalizadas do que a minha, aqui.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Isto não parece nada antigo, pois não?


Quem saberá dizer o nome do autor e a época do texto do qual retirei os extractos muito interessantes que se seguem? Não parece nada antigo, pois não?

"A quarta obrigação de pai de famílias é não ter a sua casa endividada; porque ninguém é rico senão enquanto não deve, o que não se pode evitar todas as vezes que a despesa exceda a receita; e assim toda a economia é justa e necessária
(...)
É constante que se não pode curar algum enfermo sem que o prudente médico observe o seu aspecto, considerando os sintomas, a conformação do seu corpo, a constituição dos seus humores, as suas forças e tome todas as mais indicações para vir, tanto quanto poder ser, no conhecimento da causa do mal, que o aflige; isto não é só para remediar a sua, queixa, mas para prevenir o de que pode estar ameaçado.
Se o médico examinar o aspecto, e conformação de Portugal, verá logo que o seu primeiro mal é a estreiteza dos seus limites, mal, digo, incurável, sem nos podermos queixar da Providência, que assim o permitiu, de que resulta o seu mal, que é a debilidade das nossas forças à proporção das dos seus vizinhos
(...)
O primeiro motivo deste desconcerto provém na minha opinião do grande enxame de advogados que temos em Lisboa, uns bons e outros maus, mas que todos para comerem devem precisamente aconselhar as demandas, de que resultam os ódios, as separações dos pais com os filhos, dos irmãos com irmãos, e as inimizades das famílias inteiras, que passam aos seus descendentes. Pelo que me parecia, que se o seu número excedesse o de que se necessita para a administração da justiça, dentre todos se escolhessem os de maior reputação, tanto nas letras, como nos costumes, possa que só eles pudessem advogar parte nas causas cíveis e parte nas criminais;

Não são somente os advogados os que com as suas trapaças dilatam as sentenças, mas também os mesmos juizes, que por preguiça demoram nas suas mãos os feitos que lhes foram distribuídos, não havendo algum por grande e embaraçado que seja, que não se possa despachar em um mês, antes há muitos que bastariam 24 horas para se sentenciarem, para se evitar o grande prejuízo das partes, que vem de fora solicitar a sua justiça, faltando assim ao governo das suas casas.
(...)
Da mesma sorte dissera que V. A. Acharia certas boas povoações quase desertas, como por exemplo na Beira Alta os grandes lugares da Covilhã, Fundão, e cidade da Guarda e de Lamego; em Trás-os-Montes a cidade de Bragança, e destruídas as suas manufacturas. E se V. A. perguntar a causa desta dissolução, não sei se alguma pessoa se atreverá a dizer-lha com a liberdade que eu terei a honra de fazê-lo;
(...)
se V. A., como verdadeiro pai de famílias, quisesse dar uma volta aos seus domínios, observaria em 1.º lugar qual era a sua estreiteza, à proporção dos do seu vizinho (...). Acharia muitas terras incultas por serem montanhas ou puras charnecas...
(...)
E querendo eu examinar o motivo deste desconcerto, não me veio outro à imaginação senão que o lucro, que se procura aos povos, deveria preceder à força; porém hoje sou de diferente opinião, vendo que são rústicos e preguiçosos, que é necessário forçá-los a procurar o seu mesmo proveito, de que se segue, se o proprietário ou rendeiros das tais terras incultas, sem atenderem ao lucro futuro por se pouparem às despesas presentes, as não quiserem cultivar, seria justo que se lhes tirassem, vendendo-se ou aforando-se a quem se obrigasse a frutificá-las, tantas quanto lhe for possível, porque importa pouco que se faça uma injustiça a certo particular, quando dessa resulta a utilidade comum..."

sábado, 20 de janeiro de 2007

Será um alerta para novas operadoras? Parece que já as vejo: Vodaborto, TMNaborto, Optimo-Aborto in Home, etc. Aulas de economia destas valem a pena!

In DN Online
Aborto vai ser "tão normal como o telemóvel"

O economista João César das Neves acredita que se o aborto for despenalizado passará a ser uma coisa "tão normal como um telemóvel".João César das Neves falava ontem durante uma conferência de imprensa com o tema "liberalização do aborto e aumento do número de abortos", a menos de um mês da realização do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas.
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É isto que devemos definir de catolicismo e ecumenismo?

In DN Online
Quem votar 'sim' fica sem funeral religioso

"Os cristãos que vão votar 'sim' no referendo serão alvo de excomunhão automática, a mais pesada das censuras eclesiásticas", garante o cónego Tarcísio Alves, pároco há cinco anos em Castelo de Vide (Portalegre). A excomunhão automática atinge ainda "todos os intervenientes na execução do crime, como, por exemplo, médicos e enfermeiros", sublinha, enquanto consulta página a página o Código Canónico.
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domingo, 14 de janeiro de 2007

In O JOGO
Luís Filipe Vieira volta a defender a inocência de Nuno Assis
"O secretário de Estado não se vai ficar a rir"


Receio que a nossa democracia esteja a ficar assim um tanto ou quanto para o autoritária, tornando-se difícil a vida para os secretários de Estado face à "mão-de-ferro" implacável dos "ex-vendedores de pneus" e actuais presidentes de clubes. Depois ainda me falam do Pinochet...
In Diário Digital, hoje, como quem descobre a pólvora
"Pinochet ganhou com venda de armas a Irão", diz ex-fabricante
O falecido ditador chileno Augusto Pinochet autorizou a venda ao Irão de armas fabricadas no Chile devido a «incentivos económicos» e comissões, afirmou o empresário Carlos Cardoen, em entrevista publicada hoje pelo jornal La Tercera.
«Tudo indica que Pinochet autorizou a venda de armas ao Irão porque havia incentivos económicos, comissões», afirmou Cardoen, um ex-fabricante de armas que fez fortuna nos anos de 1980 e exportou bombas de fragmentação para o Iraque, que se encontrava em guerra com o Irão. "


Isto realmente é uma vergonha! Quanto mais não seja pelas semelhanças com uma certa democracia republicana que por aí anda, ainda em fase de desenvolvimento desde o pós-colonialismo:

In DN
«CASO CAMARATE»
Auditoria revela venda de armas e desvio de fundos
Uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) à actividade do Fundo de Defesa Militar do Ultramar indica que, em 1980, Portugal vendeu armas ao Irão, quatro dias após a morte de Adelino Amaro da Costa, ministro da Defesa que investigava o negócio de armamento. Além disso, aponta a existência de um «saco azul» através do qual terão sido desviados cerca de 40 milhões de euros. A revelação foi feita por Nuno Melo, presidente da Comissão de Inquérito à Tragédia de Camarate, durante um jantar com militantes do CDS/PP, em Famalicão. O documento será hoje debatido na Assembleia da República.


Há coincidências do catano!



sábado, 13 de janeiro de 2007

Afinal há vida espiritual, neste país, para além de Roma


Não resisto a expor um documento religioso interessantíssimo para o debate sobre o aborto e para uma abordagem descomprometida ao Protestantismo em Portugal. Num país em que o Catolicismo Romano parece ser o único leme ético e moral à face da Terra e onde os únicos arguentes são os defensores do ateísmo materialista (mais conhecidos por defensores da laicidade), ainda mais dogmáticos e intolerantes do que os católicos mais ortodoxos, vale a pena divulgar este documento pastoral da Igreja Metodista Portuguesa. Este data de 1997, aquando do primeiro referendo pela despenalização do aborto. Seleccionei a parte que me pareceu mais significativa, uma vez que nos deparamos com uma fase da campanha em que se discute se o feto é ou não uma forma de vida tão plena como os seres nascidos. De qualquer modo, vale a pena ler na íntegra.

"Em princípio um cristão é contra o aborto como prática anticoncepcional. Poderá contudo
admiti-lo, em boa consciência, nos casos já previstos na Lei Portuguesa e poderá mesmo
optar pelo SIM na resposta à pergunta como formulada no referendo, se a sua opção for
tomada em liberdade informada e responsável diante de Deus.
Isto, porque o respeito pela vida que a Bíblia manifesta deve ser entendido à luz do sentido
pleno de humanização e mesmo deificarão do homem dentro do contexto total das
Sagradas Escrituras. O conceito BIÓS, vida, é nelas, redutível ao sentido puramente
biológico. A vida humana é expressa pelo termo ZWÊ, sempre aplicado à vida animada em
relação, i.e., a um ser já sujeito de direitos e deveres em sociedade, como pessoa.
Vida aponta para plenitude. O sentimento de profundo respeito pela vida segundo a Bíblia
impõe-nos a reprovação e denúncia de tudo que seja sub-vida, condições de subhumanidade
e não somente uma adesão intelectual e moral a um princípio abstracto de
respeito pela vida no seu estado embrionário ou de feto."
Ver o documento na íntegra aqui
TSF Online:
"Ministro anuncia medidas para melhorar busca e salvamento
Um novo sistema de comunicações de socorro, um helicóptero em permanência em Ovar e três novas embarcações de socorro são algumas medidas anunciadas, esta sexta-feira, pelo ministro da Defesa para melhorar a busca e salvamento no mar."

Como diz o outro: "Só se lembram de Santa Bárbara quando troveja..."
Quantos mais vão precisar de morrer?

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Qual URSS? Qual China? Qual caraças? Perdão... Caracas!


In Público
Presidente quer acabar com autonomia do banco central
Chávez anuncia nacionalização da electricidade e telecomunicações
O Presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou hoje a intenção de nacionalizar os sectores da electricidade e telecomunicações e pôr fim à autonomia do banco central - duas das iniciativas com que pretende acelerar a reforma socialista do país.
“Tudo o que foi privatizado será nacionalizado”, afirmou Chávez, num discurso ao país, referindo-se a “todos os sectores de uma área tão importante e estratégica como é a electricidade”.


Para combater crescimentos "anémicos" como o nosso, Hugo Chávez, que parece meio biruta mas não o é, faz crescer o Estado. De mestre! Nem o Lenine tinha cojones para tal chuva nacionalizatória! Nem o MFA! Chegasse o Chávez ao poder em Portugal e punha o Dr. Jardim Gonçalves em conjunto com o Dr.Carrasqueira e o Ernâni Lopes a trabalhar para o Estado - tudo dependeria era do preço dos salários, mas com um Estado assim tão poderoso isso nem era problema, como vem sendo costume nestes casos.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

No Insurgente deparei-me com este texto publicado n'O Cachimbo de Magritte. Em resposta coloquei um comentário que penso ser pertinente e de algum interesse a publicação aqui n'O Parcial.

Apesar disso, não pretendo alongar-me no debate sobre o tema do referendo à despenalização do aborto pois, como já tinha referi anteriormente, a campanha de desinformação, mais conhecida por campanha eleitoral, está a começar com toda a força e toda a raiva, em conjunto com os habituais dogmas de um lado e do outro. Tudo isto, como é óbvio, acaba por escapar à simplicidade da questão essencial:

- Deve uma mulher ser julgada e condenada por interromper voluntariamente a gravidez até às dez semanas?
No meu entender, não. A decisão e o acto em si já foram condenação suficientes. O acto em si é realmente contranatura. É uma violência para a mãe, seu corpo e para uma vida que começa a ganhar formação (e não uma vida em pleno como erradamente se compara). Como tal, é tão errado um Estado de direito condenar mulheres nessas circunstâncias - e uma das provas disso é a maioria do mundo livre não o fazer -, como promover uma liberalização total e paga pelo erário público.

Não me vou estender em mais divagações morais, muito menos em dogmas e nas frases feitas que vão abundar nesta campanha. Nem tão-pouco misturar vida intra-uterina com vida efectiva pós-nascimento, o que no meu entender é um argumento desconexo.

FCG Dixit: “Cães, porcos, gatos e até ratinhos têm “direitos” que se pretendem negar a um feto nas primeiras semanas de existência.”

Comentário:
Será que li bem? Terá sido mesmo a palavra feto que o FCG quis escrever? Alto pára o baile, pois aí já a conversa se torna mesmo estranha, pois as comparações são algo desconexas. Será correcto equiparar “fetos”, mesmo sendo humanos, a “cães, porcos, gatos e até ratinhos”, uma vez que estes, tal como o Homem, assumem vida em pleno depois de nascerem (e os seus direitos estão em causa nessa fase e não na fase de feto) e também eles já foram fetos em formação no útero de suas mães?
Comparar os direitos do Homem aos direitos dos animais (ditos irracionais) pode fazer sentido em determinado contexto; comparar os direitos dos fetos em desenvolvimento dos animais e os dos humanos idem; misturar as águas parece-me uma retórica de gosto algo duvidoso.
Eu, como defensor da despenalização e nada mais para além da despenalização, andava preocupado com algum folclore e mau gosto argumentativo de alguns apoiantes do Sim, defensores da liberalização total. Mas ao ler textos como este acho que a arte de dar tiros nos pés existe de ambos os lados da barricada…

sábado, 6 de janeiro de 2007

Estará tudo maluco? (II)

In Diário Digital
José Lello sem paciência para aturar «atoardas» de Ana Gomes
O dirigente do PS José Lello afirmou esta sexta-feira à agência Lusa que já começa a ter falta de paciência para «aturar as atoardas» da eurodeputada socialista Ana Gomes sobre escalas de voos da CIA em Portugal.
No final de uma visita aos Açores, a deputada europeia Ana Gomes afirmou quinta-feira ter contactado com pessoas na ilha Terceira que garantem ter assistido a «coisas estranhas» na Base das Lajes que indiciam a passagem nos Açores de voos da CIA.
«Houve contacto com outras pessoas da ilha que confirmam relatos sobre coisas estranhas que se passaram na base, nomeadamente, a transferência de pessoas agrilhoadas, o que confirma os elementos que possuímos», afirmou Ana Gomes, na ilha Terceira.


Correio da Manhã
CARLOS CÉSAR IRONIZA DENÚNCIAS
O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, ironizou esta sexta-feira as novas denúncias feitas por Ana Gomes, comparando as revelações que a eurodeputada socialista fez às aparições dos três pastorinhos.Para Carlos César, os testemunhos de que se “passavam coisas estranhas” na base das Lages e da “transferência de pessoas agrilhoadas” não passam de “aparições” que, pela parte que lhe toca, nunca viu.

Sim, parece-me que sim. Ou será que, afinal, está tudo na mesma?
- Todos os partidos têm os seus "cromos". O PS não foge à regra e tem uma bela caderneta deles. O "cromo" Ana Gomes (aquela que até já chamou cobarde a um Presidente da República, curiosamente um correlegionário seu) entrou em colisão com o próprio partido já de algum tempo a esta parte e, como bom "cromo" que é, para não perder visibilidade quer chamar as atenções a todo o custo.
- O anti-americanismo dos do costume (PCP e BE) é tão bacoco, raivoso e delirante que até "papam"os delírios de quem anda a falar com"pastorinhos".
- E assim os intelectuais de esquerda e demais bem pensantes podem durante muito tempo passar as horas habituais nos cafés do costume a espraiar suas teorias da conspiração, mas isso pouca diferença faz, pois de qualquer modo nunca aproveitaraim esse tempo de modo mais proveitoso...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Estará tudo maluco?

Convite a Rio para Movimento Voto Sim gera polémica
Margarida Gomes
Texeira Lopes receia que o presidente da Câmara do Porto aproveite este espaço para "branquear" o seu comportamento
O presidente da Câmara do Porto foi convidado para integrar o Movimento Voto Sim, do qual fazem parte deputados do PSD como Agostinho Branquinho ou Jorge Neto, mas este convite, que ainda não é público, está já a causar mal-estar junto de fundadores do movimento, como Texeira Lopes, do BE."Eu sei que o propósito do convite não foi esse, mas não posso deixar de dizer que o convite que foi endereçado ao presidente da Câmara do Porto acaba por branquear o seu comportamento e o meu receio é que Rui Rio possa utilizar o próprio movimento para ganhar notoriedade e tentar recuperar a sua imagem junto de um certo eleitorado", disse ao PÚBLICO Teixeira Lopes.


Antes de mais, quero salientar que o facto de O Parcial ter abordado o nome de Rui Rio pela segunda vez, na sua ainda jovem existência enquanto blogue, não implica nenhuma espécie de culto da personalidade nem tão pouco qualquer promoção da imagem do Edil portuense, no qual aliás eu nem votei... Começa a ser curioso é que a oposição mais visível ao autarca do PSD venha de onde não tem o mínimo interesse vir, ou seja do BE. Primeiro, porque o BE não tem hipóteses de se tornar poder, pelo menos enquanto as pessoas no geral tiverem algum juízo e imputabilidade para exercer direito de voto; segundo porque a dita oposição é feita com base nas mais anedóticas baboseiras (ver Indignações rivolutadas dos rivolutos do costume). Assim:
  1. É quase de conhecimento comum que uma das características que distinguem Rui Rio dos seus pares no PSD é o seu ateísmo e a sua posição face ao aborto, em relação ao qual já havia manifestado a sua posição pelo sim no referendo anterior. Logo não faz sentido vir agora falar-se em aproveitamento político por causa do referendo, em especial tendo em conta que as próximas autárquicas são apenas daqui por dois anos.
  2. Com que direito fala o Teixeira Lopes de mal-estar num movimento em que há pluralidade político-partidária. É a prova de que ele lida mal com essa mesma pluralidade. Na Venezuela e em Cuba, esses paraísos do socialismo e da democracia, esse problema não se verificaria... Há que não perder a esperança em tão belos e exóticos amanhãs que cantam...
  3. É uma manifesta falta de inteligência e sentido democrático querer exercer o controlo e censura, manifestando "enjoos" e dizendo aleivosias, em relação a um movimento que precisa dos votos de quase todos os quadrantes políticos do país, se não mesmo de todos. Mas o Sr. Teixeira Lopes, e os "camaradas" do BE julgam-se os patrões morais e os ideólogos da causa do Sim.

Deste modo não é de admirar que cada vez mais pessoas hesitem em votar Sim, em especial aquelas que não concordam com a liberalização total do aborto, como é o meu caso, que é o objectivo a longo prazo do BE e de outros apaniguados seus.