sábado, 30 de dezembro de 2006

Tréguas assassinas

Governo acusa ETA de violar tréguas com atentado
O governo espanhol acusa o grupo separatista ETA de violar as tréguas acordadas, ao realizar um atentado, este sábado em Madrid, que provocou 19 feridos. O principal partido da oposição e as vítimas de terrorismo exigem que Zapatero rompa o cessar-fogo e dê uma «resposta contundente» ao atentado.


Quem será que tem mais culpa? A ETA ou os pacholas de sempre que acreditam em tréguas com organizações terroristas, assassinas, que já antes deram provas por demais de não respeitar o regime democrático nem tão-pouco a vida de inocentes.
Por que não tentarmos agora umas tréguas com a Al Qaeda? E com o Hezebollah que agora até se viraram para este cantinho ajardinado e dizem que estamos envolvidos na morte de ministro libanês...

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Será selecção natural?

In Agência Financeira
Nem todos os inscritos como desempregados nos centros dos Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), cerca de 458 mil em Novembro passado, correspondem a pessoas que estão, de facto, à procura de trabalho.
De acordo com o «Jornal de Notícias», o instituto estima existirem perto de 60 mil pessoas que não trabalham nem querem trabalhar: procuram, apenas, descontos e benefícios dados só a quem está no desemprego. Uma grande parte destas pessoas inscreve-se no início do ano (o que justifica o salto normalmente registado em Janeiro e Fevereiro), para escapar ao pagamento de anuidades, ou pagar menos que o preço de tabela.


A subsídiodependência estão tão impregnada nas mentes nacionais que qualquer dia estes "desempregados" em conjunto com os utentes do Rendimento Mínimo ultrapassam em sageza os habituais agricultores, agentes culturais, fundações disto e daquilo, etc. Se é que já não o fizeram...
E quem trabalha lá vai sustentando o arraial deste belo Portugal. De governo em governo, um quer cortar aqui outro acolá, mas os visados são sempre os mesmos - os lorpas que trabalham. Será selecção natural?

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Indignações rivolutadas dos rivolutos do costume
Ontem Eduardo Prado Coelho, na sua coluna habitual do Público, dedica uma das alíneas ao facto de Filipe La Féria ter obtido a exploração do Teatro Rivoli no Porto, declarando-se "estarrecido", "embora nada tenha contra Filipe La Féria" e classificando de "rasteira" a política cultural do executivo camarário do Porto, sendo a passagem do teatro para a gestão de Filipe La Féria "uma machadada no tipo de espectáculos que o Rivoli vinha exibindo até então".
Hoje no mesmo Público vem a seita dos Iluminatti portuguesa, o Bloco de Esquerda, "denunciar a negociata anunciada". Mais: "Os bloquistas vaticinam que, a partir de agora, haverá no Rivoli «produção cultural comercialóide [sic], de má qualidade e sem ligação à cidade, paga em boa parte por dinheiros públicos (os que recuperaram o Rivoli e os que a câmara continuará a assegurar, nas funções de manutenção)»."
Esta última frase destes "justiceiros" dos oprimidos só denota a habitual falta de honestidade intelectual e a sua demagogia retórica meia biruta e retorcida. Dizer que a futura exploração continuará a receber dinheiros públicos para depois "explicar" que foram os já outrora aplicados, obrigatoriamente pelo visto, isto é "os que recuperaram o Rivoli". Quanto aos critérios de gosto, a avaliar pela chusma de inteligência culta que pulula pelos meandros bloquistas não admira que aquilo que vinha sendo apresentado no Rivoli agradasse a eles. Chato foi o pormenor de não agradar aos portuenses. Mas segundo os iluminados do BE também a nova entidade exploradora é desprovida de espírito da Invicta, pois "sem qualquer ligação à cidade". Incrível como estas autoridades intelectuais conseguem estabelecer ligações urbanas, eu nem pergunto como pois até receio a resposta...

Já em relação a Eduardo Prado Coelho, gostaria de comentar o seguinte:
  1. Tenho muito respeito por Eduardo Prado Coelho, não só pelo seu notável currículo académico como pelo seu espaço de opinião que, concorde-se ou não com ele, é um espaço de qualidade.
  2. Não pude ficar indiferente à coragem a que já nos habituou Rui Rio, quando decidiu pôr cobro a uma situação injusta pela qual um grupo vastíssimo de mais de 30 elementos eram subsidiados com o dinheiro dos contribuintes sem que estes fossem compensados com espectáculos a seu gosto. Compreendo no entanto o papel destes elementos que convencidos que estão de produzirem espectáculos de qualidade acham injusta a perda do seu ou de um dos seus sustentos. Aí não terão eles culpa, mas sim quem lhes atribuiu antes esse mesmo sustento.
  3. Não posso concordar com Eduardo Prado Coelho quando ele chama de "rasteiro" a quem tem de gerir um espaço público e ter a batata quente de decidir a quem vai entregar a gestão desse mesmo espaço e decide por quem apresenta resultados e garantias melhores. Para a área política e para a sensibilidade cultural de EPC os subsídios públicos não devem olhar a lucros desde que determinado tipo de espectáculo seja exibido e corresponda aos seus parâmetros de qualidade. Por muito que isso custe a nós contribuintes. Mal eles se lembram que antes de existir política de subsídios públicos também existiam espectáculos de qualidade indiscutível, quer quando agradavam ao público quer quando era o mecenato a proteger determinados artistas. A política de mecenato cultural em Portugal quase não existe devido ao papel do Estado que praticamento o substituiu.
  4. Ignora também EPC que a vinda de espectáculos que mobilizem multidões e tragam dinheiro à Invicta ajuda também a mobilizar a decrépita Baixa Portuense e acabem por atrair pessoas para outro tipo de espectáculos, menos comerciais.
  5. O único espectáculo teatral a que fui assistir no Rivoli saí a meio e paguei mais de 10€ pelo bilhete. Na sala poucos ficaram, e desses poucos tinham pago bilhete pois eram convidados - facto que desde o Porto 2001 é corrente em diversas salas de espectáculo no Porto (não sei se em Lisboa também não será assim mas isso já é offtopic). Por isso nada me surpreende que a gestão desse espaço estivesse de rastos antes da intervenção de Rui Rio.
  6. Os slogans grotescos que os activistas anti-Rio encetaram pelo Rivoli voltam-se contra eles próprios: RIVOLIVRE é um conceito óptimo que designa precisamente um Rivoli livre da tutela do Estado, dos arranjinhos político-partidários, nas mãos de uma gestão privada, independente e competente.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

O equívoco libertário e o diletantismo académico

Muitas vezes os maiores adversários da causa liberal (nada de confusões com blog do mesmo nome...) são os partidários do libertarianismo, fenómeno tipicamente americano. Eivado de facilitismo e egocentrismo académico típico deste tipo de difusores, o texto que se segue, apesar da sua tipologia inserida no estilo de testamento político ou biografia, serve bem de exemplo e é de um académico de renome, Stephan Kinsella, intitulado de How I became a Libertarian.
Stephan Kinsella é bem parvo. Primeiro porque nunca provou do sabor agri-doce do socialismo juvenil, que pode atingir foros de nectar divinal... Pois é uma escola que dá boas bases e que tem uma propensão profiláctica: o facto de constituir a vacina mais eficaz contra a maleita em si, ou seja o socialismo. Diz esta luminária: Unlike many libertarians who dally with socialism before seeing the light, I have never been attracted to leftism. Indeed, although I of course welcome former pinkos to our ranks, I’m always a bit suspicious of anyone who could ever be swayed by that bunk. Parece a típica luta tribal na qual quando se aceita membros da outra tribo receia-se conspiração de espionagem, ou ataque de saudosismo ao recém-chegado. Mal ele sabe que para um socialista autêntico se divorciar da trupe e se juntar aos "gajos", que são os do outro lado, seria preciso estar em risco mais que a própria mãe...
Em dissertação bibliográfica em regressão a tenra infância Kinsella faz-nos revelações: após a bibliotecária lá do colégio católico de New Orleans ter aconselhado ao menino Ayn Rand, este absorve os romances e respectiva moral. Problema é que o maldito Estado lá está e entra em colisão com o verdadeiro cerne na ideologia à qual Kinsella quer chegar, que é o anarcocapitalismo, vejamos o brilhante volte-face:
And yet in my reading I kept coming across libertarians, whose views seemed virtually identical to Rand’s "capitalist" politics. Finally, out of exasperation at trying to reconcile Rand’s denunciation of libertarians with their seemingly similar views, I read Rothbard’s For A New Liberty, and then several other works, such as Nozick, the Tannehills, David Friedman, etc. Before long I realized Rand’s minarchism was flawed. Individual rights entail anarcho-capitalism; a state, even a minarchist one, necessarily violates the individual rights that Rand so passionately championed. Rand made a lot of sense on a lot of issues, but her arguments in favor of government were strained.
Depois de ver a luz e muito vaguear por banalidades pessoais apenas com interesse para ele próprio, Kinsella remata assim o seu texto: I am now not only an anarcho-libertarian, but a Misesian-Austrian. I have gained an increasingly deeper respect for Lew Rockwell and the singular achievement that is the Mises Institute. It has become my intellectual home. Profundo... Provavelmente Kinsella tem muito mais para nos ensinar, mas se calhar para cativar mais adeptos para a causa libertária terá de se esforçar um pokito mais e sair um pouco da sua esfera umbilical.
O problema maior disto é o equívoco que afecta o modo como são vistos muitos liberais moderados, logo afectando a verdadeira causa liberal, volto a frisar não a do blogue...

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Honestidade

Annan Blasts Global Failure on Darfur Horror
States Must Respect Rights in 'War on Terror'
(New York, December 8, 2006) – The outgoing United Nations Secretary-General Kofi Annan today delivered a ringing condemnation of the world’s failure to halt the bloodshed in Darfur, Human Rights Watch said today. He also warned against violating human rights in the fight against terror, saying governments that abandon the moral high ground play into the hands of terrorists.
"To judge by what is happening in Darfur, our performance has not improved much since the disasters of Bosnia and Rwanda. Sixty years after the liberation of the Nazi death camps, and 30 years after the Cambodian killing fields, the promise of ‘never again’ is ringing hollow.
United Nations Secretary-General Kofi Annan"


Reportar e assumir o falhanço das Nações Unidas num dos capítulos no qual assenta o objectivo principal desta organização: a defesa dos Direitos Humanos e o evitar de genocídios, para além de referir como exemplo uma situação pouco referenciada em certos meios bem pensantes esquerdistas próximos da ONU: Darfur e o genócidio assente em razões étnico-religiosas contitui por si só uma prova de honestidade. O Parcial de modo geral apoia as Nações Unidas e seus organismos, os quais tem como credíveis, mas as falhas no cumprimento dos seus objectivos, estão infelizmente à vista de todos. E agora? O que fazer com este mundo? Vamos continuar a pôr paninhos quentes paternalistas nos inimigos do Ocidente? Eu, pessoalmente, não tenho respostas.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Olá


Bem-vindo a' O Parcial. Blog que, como o nome indica, é parcial. Para começar porque detesto a imparcialidade, os que não tomam partido. Apesar de não ser religioso, gosto de ouvir um amigo meu padre dizer que Jesus abominava os amorfos. Tínhamos de estar de acordo em alguma coisa.
Neste momento não pertenço a nenhum partido político do espectro nacional, o que não admira pois este é pobre e não cobre as minhas convicções. Sou aquilo a que se convencionou de há muito chamar de liberal, termo estafado com significados equívocos e dispersos. Não me vou espraiar em conceitos diversos que andam à volta disto. Para abreviar direi que sou um liberal, que apesar de defender a independência total do indivíduo em relação à sociedade e ao Estado, tenho as minhas preocupações sociais.
Vivemos num país em que as pessoas se habituaram a ver o Estado como uma espécie de Pai Natal em conjunto com a Mãe Joana. O Estado por sua vez habituou-se a que os indivíduos a ele se moldassem e dele dependessem em vez do contrário, o que seria de desejar.
A nossa sociedade sempre foi perita em querer definir regras para os indivíduos, a querer impor opções de vida, hábitos e maneiras de ser e de estar. O catolicismo de um lado e o marxismo-leninismo do outro são a "coligação" perfeita dos pais da nação e das lições de vida e de moral. Deles provêm todas as verdades absolutas para apaziguar as almas. Quer um quer outro nunca se aperceberam de que o mundo mudou. Ambos desprezam os desejos dos outros e cumprem os seus com o deleite próprio do fruto proibido. Ambos põem suas seríissimas reservas do alto do seu púlpito ao consumismo, ao mercado livre internacional, aos direitos individuais, e de mãos dadas têm uma antipatia enternecedoramente bacoca pelos EUA e pela ideia de aldeia global.
Se aqui não virdes, caros leitores, as reprovações do costume à política externa americana (com a qual raramente eu estou de acordo, diga-se...) é porque simplesmente temo, receio e abomino os inimigos da liberdade, que em nome da religião matam indiscriminadamente, formam-se em cursos de ódio e seguem um livro no qual pode haver muita coisa, mas não há uma Maria Madalena que tenha escapado do apedrejamento por nenhum profeta que tenha feito a inibidora pergunta aos carrascos... os resultados estão à vista. Ou talvez não, pois os iluminados do costume apenas têm capacidade de autocrítica. Contestam apenas a civilização que lhes dá a liberdade para precisamente poderem contestar quem bem entendam.
Até já!